Mais de 500 cirurgias foram adiadas no primeiro dia da greve cirúrgica dos enfermeiros, segundo os sindicatos, que estão a reunir-se com os hospitais para afinar os serviços mínimos para salvaguardar que nenhum doente grave fica por operar.

Neste momento, os sindicatos estão a reunir com os conselhos de administração para definir em acordo as equipas de serviços mínimos que ficarão a assegurar todas as situações que estão previstas no acórdão do Tribunal Arbitral”, disse hoje à agência Lusa a presidente da Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite.

Na quinta-feira, as duas estruturas sindicais que convocaram a greve às cirurgias programadas em cinco hospitais públicos reuniram com o Centro Hospitalar do Porto e hoje com o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Nestas reuniões, “ficaram definidos esses serviços porque “importa salvaguardar, por um lado, a clarificação para os enfermeiros de quantos têm que estar para assegurar serviços mínimos e, por outro lado, salvaguardar que nenhum doente grave fica por operar”, adiantou a enfermeira Lúcia Leite.

Os serviços mínimos nos blocos operatórios são assegurados por enfermeiros em greve no Centro Hospitalar Universitário de S. João, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e o Centro Hospitalar de Setúbal.

Segundo a sindicalista, no primeiro dia de greve, que teve início na quinta-feira e se prolonga até 31 de dezembro, foram adiadas 506 cirurgias.

Todos os blocos estiveram a funcionar em serviços mínimos, a assegurar as situações urgentes e as urgências definidas internas.

“Tivemos um ou outro percalço relativamente a doentes que estavam programados” e que os enfermeiros foram forçados a assegurar como mínimos e que não se enquadravam neste âmbito, disse Lúcia Leite.

O objetivo das reuniões é “mesmo clarificar” estas situações, para “evitar divergências que venham a prejudicar, por um lado, os doentes e, por outro lado, criem situações de conflito que são perfeitamente desnecessárias”, salientou.

Convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), a paralisação visa “parar toda a cirurgia programada, mantendo, naturalmente, assegurados os cuidados mínimos decretados pelo tribunal”.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções, tendo em conta “a penosidade inerente ao exercício da profissão”, segundo as estruturas sindicais.

A ideia da paralisação partiu inicialmente de um movimento de enfermeiros que recolheu já mais de 360 mil euros num fundo destinado a compensar os profissionais que ficarão sem salário.