Várias dezenas de trabalhadores da EDP Portugal manifestaram-se hoje no Porto para contestar a proposta da empresa de 0% de aumentos salariais anuais, quando o grupo EDP teve 810 milhões de lucros em ano de pandemia.

Enquanto os lucros EDP crescem, os trabalhadores empobrecem. Exigimos salários justos”, lia-se numa das faixas levantadas esta manhã pelos funcionários que participavam na concentração em frente das instalações da EDP, exigindo “ser ouvidos” e, acima de tudo, “respeitados e valorizados”.

 

 

Em declarações à agência Lusa, Augusto Pinto, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE Norte), disse que aquele sindicato e a empresa já estiveram “sete vezes à mesa das negociações”, mas a EDP Portugal continua a propor aos trabalhadores um aumento salarial anual de 0%.

Esta ação hoje centra-se contra a posição da empresa no que diz respeito a matérias de atualização salarial, como é costume todos os anos existirem por esta altura. A empresa propõe um aumento de 0%, o que vai contra as nossas pretensões, dado os resultados que a empresa tem apresentado”, declarou Augusto Pinto.

O sindicalista falava dos “810 milhões de lucro do grupo EDP, dos quais 94 milhões referentes ao negócio em Portugal” e à “distribuição pelos acionistas de “755 milhões de euros”.

Na nota distribuída aos jornalistas esta manhã na contestação, recordam à administração que foram os trabalhadores do grupo, em “tempos difíceis como os do último ano” que permitiram a garantia de “um serviço indispensável”.

“Uma empresa que vai durante três anos pagar a António Mexia 800 mil euros por ano, para não assinar por nenhuma empresa da concorrência, que irá distribuir pelos acionistas 755 milhões de euros, que gerou 810 milhões (dos quais 94 milhões referentes ao negócio em Portugal), é a mesma que veio para o processo negocial com uma proposta de 0%, negando a valorização dos trabalhadores”, acrescenta a nota do SITE Norte.

A proposta inicial, que é a que existe, porque nada foi reformulado, é um aumento que tem como base “90 euros” para todos os trabalhadores, adiantou à Lusa Augusto Pinto.

“É um valor para ir para a negociação. Agora não vamos partir para a negociação com uma proposta de 0% da empresa”, disse o dirigente sindical, referindo que vão para "a sétima reunião este ano” para negociar o aumento dos salários, mas que a empresa “continua fechada nessa pretensão dos 0%”.

Segundo António Augusto, está marcada para esta terça-feira, uma nova reunião, a oitava, para discutir os aumentos salariais.

A Lusa contactou fonte do gabinete de imprensa do grupo EDP que indicou que a empresa não ia hoje prestar declarações, porque as "negociações ainda estão a decorrer".

/ MJC