A pandemia Covid-19 não poupa setores e quem vive do negócio do mar também está preocupado, concretamente quando o tema são as sardinhas, um dos “petiscos” mais apreciados em Portugal e aguardado por muitos quando o tempo aquece.

Com as festas do santos populares canceladas em 2020, o setor reconhece que não vai ser um ano fácil.

A situação criada com a pandemia do coronavírus vai afetar o setor da pesca da sardinha com perturbações graves e significativas do mercado, em que os cancelamentos das festas dos santos populares em Lisboa e no Porto, são apenas alguns exemplos”, diz em comunicado Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco.

Conscientes de que há um conjunto de medidas propostas pela Comissão Europeia e que os Estados membros estarão a consolidar, não deixam de reforçar que precisam delas com urgência, tendo em conta “o severo impacto económico da crise do coronavírus sobre os poucos meses em que se projeta a atividade da frota ibérica da pesca de sardinha.”

Acrescentando que é preciso aprofundar o debate “sobre as ferramentas e os instrumentos existentes para apoiar especificamente a pesca da sardinha nos dois países, pois o setor está totalmente empenhado em garantir o abastecimento.”

Segundo a Associação, “nos últimos anos as capturas de sardinha autorizadas para Portugal e para Espanha estiveram muito abaixo das perspetivas desejadas pelos pescadores, e permaneceram em níveis incapazes de garantir a sobrevivência económica e social deste importante setor de atividade.

As quebras dos rendimentos globais das embarcações têm vindo a ser acentuadas ano após ano e está a ser cada vez mais difícil para as empresas garantir a manutenção da atividade das embarcações. Entretanto, os sacríficos realizados pelo setor nos últimos 5 anos contribuíram para os excelentes resultados que estão a ser obtidos na recuperação do recurso sardinha nas águas atlânticas da Península Ibérica”, refere ainda.

A normalidade parece ir voltando ao mar, mas falta acalmia em terra e, por tanto, há propostas para 2020.

A competência da gestão da sardinha ibérica está atribuída aos governos de Portugal e de Espanha, no respeito pelos princípios gerais da Política Comum de Pesca. Em simultâneo com o desenho das ajudas ao setor que estará a ser projetado, a associação entende que como “o ponto de partida deve ser definido um limite global de captura de sardinha de 12 mil toneladas, até 31 de julho, para o conjunto dos dois países.”

/ ALM