Numa altura em que se sabe que já há mais de 2,6 milhões de portugueses com seguro de saúde - números de 2018 que não param de crescer - é bom que pense se quer e se tem um seguro à sua medida.

À partida os seguros de saúde devem cobrir:

  • Emergências
  • Hospitalização
  • Análises clínicas
  • Gravidez e cuidados natais
  • Saúde mental e tratamento devido ao abuso de substâncias
  • Pediatria, incluindo dentista e oftalmologia
  • Receitas de medicamentos
  • Prevenção (tais como mamografias e despistes)
  • Reabilitação

As empresas empregadoras, que proporcionam seguros de saúde aos seus trabalhadores, podem ter coberturas diferentes. Para ter a certeza, solicite na sua empresa a sua apólice do seguro, onde estará descriminado, exatamente, o que os planos cobrem ou não

Se não tem seguro através da empresa procure aconselhamento ou faça a sua pesquisa em vários locais e compare antes de decidir.

Rui Cunha Santos, diretor coordenador do “Dr. Finanças” esteve na Economia 24 para nos ajudar a responder a algumas dúvidas.

Qual a primeira coisa a ter em conta quando contratamos um seguro de saúde?

A primeira coisa a ter em conta são as nossas especificações de saúde. Cada caso é um caso e devemos perceber as nossas necessidades, que mudam ao longo da vida. Se tivermos no início de vida, e a constituir família, se calhar faz sentido pensar numa cobertura de pediatria mais elevada, concretamente do parto que, normalmente, também tem um período de carência para ser utilizado. Acresce que neste período as consultas também são mais frequentes.

Com o evoluir da vida, devemos ir ajustando o pacote de seguros porque deixamos, por exemplo, de precisar da pediatria e somos nos, os pais que necessitamos de outro tipo de cuidados.

Devemos fazê-lo cedo, ou seja, ter atenção ao período de pré-existência?

Sim a pré-existência é algo antes da existência do seguro. Alguma doença que tenha e que careça de tratamento antes de contratar o seguro, provavelmente, ficará excluída do contrato por parte da companhia. Estou a contrair um seguro que não terá aplicabilidade para o que necessito.

No momento de contratar temos que estar atentos às exclusões?

Sim. A tudo aquilo que um individuo que contrata determinado pacote, não terá acesso pelas questões especificas da sua saúde. No momento da contratação preenche-se um questionário médico que será analisado pelo técnico da companhia, sendo em alguns casos necessário fazer exames médicos. Depois fica definido nas condições particulares do seguro quais as coberturas a que temos direito enquanto subscritores do seguro.

Franquia e período de carência também são aspetos a ter em conta?

Sim. Os seguros são todos muito iguais quando os lemos superficialmente, mas as letras pequenas podem trazer-nos algumas surpresas. A franquia é aquilo que temos que pagar do nosso bolso em qualquer intervenção. A carência [meses iniciais, que terá de pagar à seguradora, antes de esta assumir qualquer despesa. Outra modalidade pode ser o valor que paga anualmente, antes de a seguradora assumir a sua parte dos custos. Se o período de carência implicar que terá que assumir, por exemplo, 1.000 euros, significa que terá que pagar os primeiros 1.000 euros de despesas médicas que efetuar, após os quais a companhia de seguros começará a pagar a sua parte] convém que tenha em conta as minhas necessidades, se não pode já não fazer sentido o seguro.

O que fazer em casos como um tratamento prolongado de oncologia ou de estomatologia, que as coberturas normais não abrangem?

Habitualmente é financeiramente mais interessante não fazer o aumento pela cobertura do seguro, porque estamos a aumentar o plafond em todas as categorias e o valor final é mais caro. Mas existem no mercado, quer nas companhias que comercializam os seguros, mas também em outras que vendem só cartões de saúde, os tais cartões que dão descontos em algumas especialidades. Podem ser descontos complementares aos seguros base.