O Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) reagiu esta sexta-feira ao plano de reestruturação apresentado pelo Governo. Para Alfredo Mendonça, presidente da associação, alguns dos dados apresentados pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação "não estã corretos".

Um dos números referidos por Pedro Nuno Santos apontava que a TAP tem mais 19% de pilotos por aeronave do que “praticamente todos os concorrentes”, apontando essa como uma das desvantagens competitivas face a outras companhias aéreas.

O SPAC disse desconhecer qual a origem dos dados que apontam que a TAP tem mais pilotos do que as congéneres, defendendo que estes não são verdadeiros.

Há várias pessoas, como o senhor ministro das Infraestruturas, que têm passado alguns dados que não estão corretos e nós temos como prová-lo”, lamentou Alfredo Mendonça, em conferência de imprensa, em Lisboa.

O presidente do SPAC defendeu que a dignidade “humana e laboral” dos pilotos está a ser atacada, ao serem comparados aos bancos que já sofreram reestruturações.

Há uma grande campanha de desinformação relativamente aos pilotos e atacando a dignidade dos pilotos. Chegámos ao ponto em que começou a ser atacada a dignidade humana e laboral dos pilotos. Já os compararam com os bancos sujeitos a reestruturações”, afirmou Alfredo Mendonça, em conferência de imprensa na sede do SPAC, em Lisboa.

Para o responsável, é necessário separar a TAP SGPS da SA: "Desde 1997 que não era injetado um cêntimo. A TAP SA normalmente apresenta resultados muito diferentes dos referidos”, notou.

Alfredo Mendonça lembrou ainda que os pilotos portugueses são disputados por todas as companhias do mundo e considerados “dos melhores trabalhadores que se pode ter”.

O SPAC defendeu que o plano de reestruturação da TAP vai impedir a companhia de competir com as outras empresas quando a procura começar a disparar, após a pandemia de covid-19.

Em conferência de imprensa, Rodrigo Guimarães, do SPAC afirmou que o plano, da forma como está estruturado, congela o futuro da TAP à data em que o país está a atravessar uma segunda vaga da pandemia de covid-19.

Este é o cenário de procura que vai fixar para sempre a estrutura da TAP. Vamos ter uma redução da frota e do que é quota da TAP no transporte aéreo europeu”, apontou.

Assim, conforme notou este responsável, a companhia não vai ter capacidade de competir com as outras empresas “quando a procura” começar a aumentar.

O Governo entregou à Comissão Europeia a proposta inicial do plano de restruturação da TAP, que prevê para o próximo ano um auxílio do Estado de 970 milhões de euros, anunciou o executivo.

O plano prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine e 750 trabalhadores de terra, a redução de 25% da massa salarial do grupo e do número de aviões que compõem a frota da companhia, divulgaram os sindicatos que os representam.

De acordo com um comunicado conjunto dos ministérios das Infraestruturas e da Habitação e das Finanças, “foi entregue hoje [quinta-feira] à Comissão Europeia uma proposta inicial do plano de reestruturação da TAP, ao abrigo da Diretiva Europeia que regulamenta os auxílios de Estado”.

O Governo estima que a TAP tenha condições para começar a devolver os apoios do Estado em 2025, mas até lá poderá ter de receber um valor superior a 3,7 mil milhões de euros, segundo o ministro das Infraestruturas.

O SPAC e o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) apelaram ao Governo que negoceie com Bruxelas o adiamento da apresentação do plano de reestruturação da TAP, denunciando que este está baseado em previsões de mercado "completamente desatualizadas".

António Guimarães / com Lusa