Cerca de duas dezenas de membros do SinTAF concentraram-se esta sexta-feira frente à sede do Novo Banco, em protesto contra o despedimento de Nuno Matos e acusaram o banco de perseguição contra um representante dos trabalhadores.

A ação de protesto foi promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SinTAF), que estão solidários com o trabalhador Nuno Matos, dirigente sindical que afirma ter sido o único despedido pelo Novo Banco, no âmbito da transmissão da GNB - Recuperação de Crédito para aquela entidade bancária, devido à sua condição de representante laboral.

Vejo-me com uma faca ao pescoço e sem saber o que fazer, portanto só posso querer o meu posto de trabalho e continuar a trabalhar e, já disse várias vezes ao banco, que estou disponível para ir fazer qualquer tipo de trabalho, [mas] o banco, simplesmente, diz que não quer”, disse Nuno Matos aos jornalistas.

O trabalhador está atualmente a cumprir os últimos dias do contrato com a empresa, que termina no dia 19 de maio, tendo já decidido avançar com o processo para os tribunais, para pedir a integração no Novo Banco, ainda que tal signifique ter de devolver a indemnização que recebeu da entidade patronal.

O despedimento] tem a ver com as propostas que, através do SinTAF defendi: os postos de trabalho, as condições de trabalho que têm de ser melhores. Não estou a ver outro problema, porque não é indicado nenhum problema, só dizem que não querem, ao fim de 23 anos de trabalho”, acusou o trabalhador, cuja mulher trabalhava também na mesma empresa e foi despedida em 2019.

A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, considerou que se trata de “uma efetiva perseguição a um representante dos trabalhadores”.

Esse é o único motivo que leva o Novo Banco a despedir o Nuno, porque todos os outros trabalhadores da GNB foram integrados no Novo Banco”.

A líder sindical apontou ser curioso o banco escolher um dirigente sindical de uma estrutura da CGTP para “uma pseudo-reestruturação que não existe”.

Em 19 de fevereiro, o SinTAF acusou o Novo Banco de promover o despedimento de um dirigente sindical "de forma persecutória", acusação que o banco rejeita.

Em comunicado, o SinTAF refere que desde o verão do ano passado o Novo Banco (NB) tem estado a migrar o trabalho dos agrupamentos complementares de empresas (ACE) GNB - Serviços de Suporte Operacional e da GNB Recuperação de Crédito e "tem também estado a integrar os trabalhadores".

Até ao momento, os trabalhadores têm sido integrados no NB, salvaguardando as remunerações, os complementos remuneratórios, e inclusive complementando os seus vencimentos nas diferenças salariais, com as novas contribuições a assumir pelos trabalhadores no âmbito desta integração, as categorias profissionais atribuídas, e os postos de trabalho atribuídos", aponta o SinTAF no documento.

Porém, "em final de novembro de 2020 só restava um trabalhador na empresa e ao qual não foi proposta a sua integração", e segundo o sindicato, o Novo Banco declarou o "despedimento por extinção da GNB Recuperação de Crédito [GNB-RC]".

O SinTAF refere que o trabalhador "é o delegado e dirigente sindical da GNB-RC que exigiu e acompanhou o cumprimento dos direitos e a integração dos seus colegas de trabalho", considerando que o despedimento "só tem um nome: perseguição sindical".

Segundo a estrutura sindical, o banco disse ao trabalhador "para esperar que estava a tratar do assunto", tendo o sindicalista insistido até obter a resposta.

Questionado então pela Lusa, fonte oficial do Novo Banco afirmou que "o trabalhador não exerce funções de recuperador desde 2014, pelo que não foi considerado do recrutamento por falta de 'skill set' para as funções disponíveis".

A instituição presidida por António Ramalho afirma também que "não é verdade que tenha sido o único" a não ser integrado, acrescentando que "não havia funções para enquadrar todos os trabalhadores" e que "foram propostas três saídas de trabalhadores, tendo-se concretizado duas".

/ HCL