A Galp vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos a partir do próximo ano, anunciou hoje a empresa.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp refere que “continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos”, e que está a “desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”.

A empresa diz que as "alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos motivados pelo contexto regulatório e pelo contexto covid-19 originaram um impacto significativo nas atividades industriais de ‘downstreaming’ da Galp”, e afirma que “o aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão”.

Esta reconfiguração “permitirá uma redução de mais de €90m por ano em custo fixos e investimentos e c.900kt das emissões de CO2 e (scope 1 e 2) associadas ao sistema atual”, refere a nota.

“O valor contabilístico das atividades a serem descontinuadas é de c.€200m”, acrescenta.

A Galp diz ainda que se vai focar “no aumento da resiliência e competitividade do complexo industrial de Sines, com uma capacidade de processamento de crude de 200kbpd e equipado com unidades de maior conversão, estando em análise iniciativas com vista ao aumento da sua eficiência processual e energética, bem como a integração da produção de biocombustíveis avançados e de outros produtos com baixo teor de carbono e maior valor acrescentado”.

Os investimentos potenciais associados a estas iniciativas poderão ser suportados pelas poupanças da reestruturação em curso e pelos mecanismos de apoio à transição energética”, acrescenta a empresa.

No passado dia 11, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (Site-Norte) tinha alertado para a “incerteza” quanto ao futuro da refinaria de Matosinhos, onde a produção de combustíveis está suspensa “indeterminadamente” e a monobóia desativada.

O momento atual no complexo industrial é de enorme incerteza e vulnerabilidade no que diz respeito à sua continuidade como um dos maiores polos industriais existentes no norte do país”, referia o sindicato, num comunicado distribuído aos trabalhadores da Petrogal, em Matosinhos.

“A suspensão da produção de combustíveis indeterminadamente, parando equipamentos que, recordamos, foram considerados na altura como o garante do futuro e competitividade da refinaria é sem dúvida revelador do momento delicado que atravessamos”, sustentava a estrutura sindical, exigindo a "retoma plena da atividade da fábrica de combustíveis" e alegando que "os avultados investimentos que aí foram realizados são o garante do emprego, da criação de riqueza e do desenvolvimento da economia regional e do país”.

Trabalhadores da Galp vão contestar fim da refinação em Matosinhos e pedir intervenção do Governo

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Galp disse à Lusa que vai contestar a decisão da empresa de concentrar a refinação em Sines e descontinuar a operação em Matosinhos e pedir, novamente, a intervenção Governo.

A nossa intenção é contrariar. Vamos discutir. Vamos reunir com os sindicatos e convocar o Governo, como temos feito desde 24 de abril. Alertámos, desde essa altura, o Governo e o Presidente da República, [Marcelo Rebelo de Sousa], para as consequências que a distribuição de dividendos iria ter num contexto de pandemia. Não tivemos resposta”, afirmou Hélder Guerreiro da CT da Galp, em declarações à agência Lusa.

Este responsável disse que os trabalhadores souberam desta decisão pelas 09:00 desta segunda-feira, sublinhando que a petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva não deu quaisquer garantias em relação aos postos de trabalho.

/ BC/DA atualizada 15:23