O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores e Aviação acusa este sábado o Governo de estar a realizar um despedimento coletivo encapotado na TAP e nega que as negociações para as rescisões contratuais estejam a decorrer de forma voluntária.

O ministro (das Infraestruturas), quando diz que as negociações são voluntárias, ou está mal informado, ou está a iludir os custos políticos de um despedimento coletivo desta magnitude”, acusa José Sousa, em entrevista à TVI24.

Sousa destaca que “é evidente” que os trabalhadores não estão a fazer negociações livres para sair, já que todos os identificados pela transportadora como não sendo necessários na reestruturação da empresa recebem um ultimato: “É-lhes dito ‘ou sais assim, ou sais assim”.

Toda esta situação é acentuada pelo facto de o trabalhador, diz o representante do sindicato, “nunca pensou subscrever qualquer proposta para rescisão. Quer é o trabalho, e, agora, está numa lista para despedir”.

Lembrando que a companhia de bandeira já reduziu 2.610 postos de trabalho, num universo de 8.650 trabalhadores da TAP S.A, José Sousa teme que as novas reduções neste contingente deixem pouco mais de 5.500 empregos na transportadora.

No nosso ponto de vista, o número não é suficiente para manter a empresa com uma frota como aquela que se prevê ter pelo menos 90 aviões”, diz, questionando como será possível uma ação destas na TAP, sendo que a decisão coloca em causa a sobrevivência material da empresa.

José Sousa crê que o caminho de “autodestruição” da TAP não possibilitará a retoma da atividade pós-covid-19 e argumenta que a alternativa passa por o Governo suportar a companhia, enquanto não tem capacidade para gerar receitas. “A TAP não voa porque as fronteiras estão fechadas, não por existir um desequilíbrio estrutural”.

O secretário-geral sublinha ainda o “enorme” esforço dos trabalhadores e pede que a administração da companhia e o Governo devem implementar cortes nos outros custos da empresa. Algo “que não parece que esteja a acontecer”, afirma.

Esta sexta-feira, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, recusou que houvesse “chantagem” sobre os trabalhadores da TAP para aceitarem as medidas voluntárias. "O despedimento coletivo é uma necessidade que se enquadra no plano de reestruturação”, realçou, salientando que “neste momento há um conjunto de perto de 500 trabalhadores que estão identificados para o processo de despedimento coletivo, mas ainda há tempo para optarem pelas medidas voluntárias”.

Não é uma questão de chantagem, é que a empresa precisa desesperadamente de uma redução de efetivos e uma redução drástica de custos, porque teve uma travagem brusca da atividade”, justificou o ministro.

Pedro Nuno Santos referiu ainda que, por outro lado, já foi enviada a 6.240 trabalhadores da TAP “uma carta de conforto dizendo que neste momento não está em causa a sua permanência da empresa”.

Quanto ao apoio de 462 milhões de euros aprovado pela Comissão Europeia para a TAP, o ministro disse que a companhia “precisa de caixa enquanto as negociações [para a aprovação do plano de reestruturação por Bruxelas] estão a decorrer”.