A Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP) voltou a apelar para que o Presidente da República e o primeiro-ministro encontrem uma solução que minore as perdas com produtos comprados ao BES. Este apelo surge um dia depois de a mesma associação ter anunciado que vai colocar na Justiça uma ação coletiva contra o Novo Banco e os funcionários que venderam os produtos que levaram a perdas financeiras.

Luís Marques, presidente da AMELP, recordou hoje que teve reuniões com Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, no ano passado, em que estes deram o seu apoio e prometeram ajudar numa solução. Ainda acredita "na sua palavra", mas ao fim de quase três anos sem solução (fará a 3 de agosto) os emigrantes estão a ficar esgotados.

Faço um apelo ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para que metam a mão na consciência e venham ajudar as pessoas. As pessoas estão a ficar muito abatidas, isto é destrutivo para os emigrantes e é nefasto para o país. As entidades portuguesas também têm interesse em que se encontre uma solução para os emigrantes".

Num encontro com jornalistas, hoje, foi indicado que já avançaram algumas ações contra os gestores de conta em causa e que mais darão entrada nos próximos dias. Foram mesmo lidos, segundo reporta a Lusa, os nomes dos funcionários em causa e as localidades em que trabalham, como Lisboa, Oliveira de Frades, Valença, Viana do castelo, Beja, Braga, Leiria ou Melgaço.

"Não podemos esperar mais"

A decisão da AMELP de avançar para a justiça com esta ação acontece depois de o Novo Banco ter interrompido as conversações para uma solução.

Segundo a associação, depois de conversas iniciais em março, com mediação do Governo e participação do presidente do Novo Banco, António Ramalho, foi combinado um novo encontro, mas nunca aconteceu com a instituição a justificar com "constrangimentos acerca do acordo com a Lone Star", o fundo norte-americano a quem o Estado acordou vender o banco.

Quanto aos processos contra os trabalhadores do Novo Banco, o presidente da AMELP disse hoje que a associação deu tempo ao Novo Banco "para proteger os seus funcionários" e que agora não pode esperar mais.

Ainda ontem, em reação, o Novo Banco veio esclarecer solicitou "algum tempo para avaliar soluções no quadro da transação, entretanto, realizada" e de que "mantém a natural disponibilidade para continuar as conversações com a AMELP". Hoje, o representante dos lesados afirmou não ter conhecimento dessa disponibilidade e garantiu que as últimas notícias são do cancelamento de novas conversações.

"Sentenças absurdas"

O responsável acusou ainda o "Novo Banco de esconder-se nas deliberações do Banco de Portugal" e criticou também o supervisor e regulador bancário por, em 2015, ter feito uma deliberação que protege o Novo Banco, ao dizer que não é responsabilidade deste ressarcir o dinheiro de clientes lesados pelo BES.

De acordo com a vice-presidente da AMELP, Helena Batista, já houve várias sentenças de tribunais cíveis que absolvem o Novo Banco com base nessa deliberação do Banco de Portugal, por considerarem que essa deliberação faz com que o Novo Banco não seja parte legítima em tribunal.

As sentenças que nos vão chegando são absurdas, sentenças que absolvem o Novo Banco por despacho, sem julgamento. Quem controla isto? Quem controla esta Justiça copy e paste".

Os emigrantes lesados recordaram o mecanismo de compensação encontrado para os clientes lesados do papel comercial para afirmarem que ficaram contentes e que o que querem é apenas que no seu caso também seja encontrado uma solução. "Eles foram enganados e nós fomos enganados, eles têm toda a legitimidade e nós também temos", considerou.

A associação promete intensificar as ações de luta, nomeadamente através de manifestações de rua, para que o seu caso não seja esquecido.

Enquanto não for encontrada solução não vamos parar. Temos de fazer por aqueles que antes de nós emigraram, por aqueles fugiram ao salazarismo e à miséria"