O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) disse esta terça-feira estar preocupado com os critérios de gestão dos voos da TAP, que acusa de causar prejuízos à empresa, por não rentabilizar voos que historicamente têm taxas de ocupação altas.

O SPAC vem demonstrar a sua preocupação pelo facto de voos para destinos que historicamente sempre foram operados pela TAP com taxas de ocupação elevadas e com várias frequências diárias, não estarem a ser rentabilizados devidamente, apesar de haver procura, numa altura em que a TAP está necessitada de mercado para recuperar da crise”, manifestou o sindicato, em comunicado, referindo-se a destinos onde existem comunidades de emigrantes.

De acordo com os representantes dos pilotos, o “abandono destes voos por parte da TAP” está a causar “prejuízo evidente” para a empresa, “com a consequente perda de receitas, aproveitamento de aeronaves e tripulações que se encontram imobilizadas, sobretudo agora que a empresa já não se encontra ao abrigo do ‘lay-off’.

O sindicato sublinhou que aquelas receitas são “vitais” para a companhia aérea, numa altura em que se prevê despedimento de milhares de trabalhadores, devido à situação económica difícil em que a TAP se encontra.

Não encontra o SPAC justificação para esta política comercial uma vez que existe neste momento mercado de passageiros interessados nestes voos”, lê-se na mesma nota.

Segundo o sindicato dos pilotos, área de atividade onde se prevê o despedimento de 500 profissionais, outras companhias aéreas, como a KLM, a Lufthansa, a Swiss ou a easyJet, estão a aproveitar o facto de a TAP não estar a operar aqueles voos com várias frequências diárias.

“Estas companhias estão a operar, por exemplo, a partir da cidade do Porto com aeronaves de elevada capacidade, tendo por vezes recorrido a aviões de longo curso para satisfazer a procura crescente por parte de passageiros”, apontou o SPAC.

Neste sentido, o sindicato considerou a gestão de voos da TAP “incompreensível” do ponto de vista comercial e económico.

“Esta política comercial e de gestão, com cancelamentos sucessivos de voos, vem induzir nos passageiros, mesmo os frequentes, incerteza na hora de reservarem o seu voo levando-os a optarem por outras companhias com uma política comercial consistente”, acrescentou.

O sindicato deu ainda conta de que, no dia 19 de dezembro, só as companhias aéreas Swiss e easyJet realizaram 12 voos do Porto para Zurique e Genebra, na Suíça, onde existe uma comunidade significativa de emigrantes portugueses, “na sua maioria com elevadas taxas de ocupação”.

Segundo o SPAC, a Swiss teve mesmo de recorrer a aeronaves Boeing 777 e Airbus 340-300, de grande capacidade, para responder à elevada procura por parte das comunidades portuguesas na época natalícia.

“Estes voos de Zurique para o Porto transportaram respetivamente, 334 e 308 passageiros e o voo com menor número de passageiros, foi efetuado pela easyJet com 155 passageiros”, apontou o sindicato, ao passo que a TAP “não realizou um único voo entre o Porto e Zurique, não obstante a elevada procura evidenciada, mantendo em terra os seus aviões, assim como os seus pilotos e demais tripulantes”.

O plano de reestruturação da TAP, entregue em Bruxelas este mês prevê a suspensão dos acordos de empresa, medida sem a qual, segundo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, não seria possível fazer a reestruturação da TAP.

O plano de reestruturação da TAP à Comissão Europeia, entregue à Comissão Europeia, prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine, 450 trabalhadores da manutenção e engenharia e 250 das restantes áreas.

O plano prevê, ainda, a redução de 25% da massa salarial do grupo (30% no caso dos órgãos sociais) e do número de aviões que compõem a frota da companhia, de 108 para 88 aviões comerciais.

/ RL