O início da pandemia de covid-19, em 2019, ficou marcado pela corrida aos supermercados. Filas intermináveis, prateleiras vazias e a "febre do papel higiénico" abriram noticiários em todos os continentes. O planeta não parou, a vida continuou e se fosse hoje essas faturas seriam, em média, 30% mais dispendiosas.

Quem o diz são as Nações Unidas, que através do índice da Organização para a Alimentação e Agricultura, estima que o preço dos bens alimentares tenha atingido o nível mais alto da última década.

Portugal não escapa e o pior parece que ainda está para vir. 

Leite, pão, vegetais, todos os tipos de papel, entre vários outros bens alimentares vão aumentar ao longo dos próximos tempos. As indústrias apontam vários motivos para as subidas, mas há um que inevitavelmente é verbalizado por todas elas: o aumento dos combustíveis.

A Associação dos Produtores de Leite de Portugal explicou à TVI24 que esta matéria-prima deverá ficar seis cêntimos mais cara por litro. O aumento prende-se com os preços de adubos, pesticidas ou ração.

Adubos, pesticidas, todos os produtos que usamos estão mais caros. Também a ração aumentou cerca de 50 euros por tonelada”, explicou Carlos Neves da APROLEP.

 

A pesca é outro dos setores diretamente afetados pelo aumento do prço dos combustíveis. No Algarve, vários pescadores garantiram à TVI24 que estão a preparar-se para começar a sair para o mar menos vezes numa tentativa de reduzir os prejuízos. Decisão que também irá motivar um acréscimo no custo do pescado.

O mesmo cenário replica-se no setor da panificação. Os produtores são claros: as matérias-primas estão mais caras e o preço do pão irá subir nos próximos meses.

Já na indústria do papel, a Navigator, uma das maiores produtoras de celulose em Portugal, vai aumentar, no mercado ibérico, a partir de dezembroo preço do papel. Papel higiénico, rolos de cozinha, guardanapos e lenços de papel vão assim ficar mais caros entre 8% a 10%.

A celulose aumentou 78% desde o início do ano. (...) Os custos energéticos apresentam-se 3,6 vezes superiores ao ano de 2020 no caso da eletricidade e 5,8 vezes superiores no caso do gás natural”, explica a empresa.

O aumento do preço dos bens alimentares vai atingir todo o mundo, muito influenciado por uma procura robusta aliada a uma quebra nas colheitas, diz as Nações Unidas.

Em outubro, os preços alimentares vão subir pelo terceiro mês consecutivo, mais 3% do que em setembro, segundo índice da Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU.

Só no último ano, este indicador sofreu um aumento superior a 30% e fixou-se no nível mais alto desde julho de 2011.

O preço do trigo, o cereal mais cultivado no mundo, aumento 5% em outubro, muito por culpa das fracas colheitas no Canadá, Rússia e Estados Unidos, que são os maiores exportadores desta matéria-prima.

A valorização do custo do óleo de palma, soja, girassol e colza, provocaram um acréscimo de 9,6% ao preço dos vegetais.

Nuno Mandeiro