A Zero defendeu hoje uma campanha pública para informar os cidadãos de que podem usar embalagens próprias quando vão buscar comida, considerando que taxar embalagens de uso único devia ser alargado a mais materiais descartáveis.

Em comunicado hoje divulgado, a associação ambientalista diz que pediu um parecer sobre o uso de embalagens reutilizáveis à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que esclareceu que, desde que sejam garantidas as condições de higiene e acondicionamento dos alimentos, "não existem impedimentos legais que impeçam a utilização das embalagens reutilizáveis".

A proposta de Orçamento de Estado para 2020, apresentada na semana passada pelo Governo, prevê a tributação das embalagens de uso único para refeições, como as que restaurantes têm para vender comida para fora ou de entregas ao domicílio.

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O valor a pagar pode variar em função das características da embalagem, sendo que pagarão menos as que incorporem material reciclado, revertendo as receitas para o Fundo Ambiental.

A Zero tem defendido que a taxação sobre embalagens para comida "take away" é positiva, mas deve ser alargada a mais soluções descartáveis, e que mesmo antes de se avançar com essa taxa deve haver soluções alternativas reutilizáveis.

Sem este enquadramento, todo o ónus recairá sobre os consumidores e os produtores (principais responsáveis pelas ofertas apresentadas ao consumidor) não terão qualquer incentivo para alterar as suas práticas”, considera a associação ambientalista.

A Zero defende, nomeadamente, que “é fundamental garantir o direito do consumidor a levar as suas embalagens e de estas serem aceites pelo prestador”.

Assim, pede uma campanha pública de informação que “informe que esta prática não é proibida pela ASAE, ao contrário do que é habitualmente veiculado”.

A Zero defende ainda incentivos para reutilização de recipientes para comida, onde pagando uma tara os clientes podem usar recipientes reutilizáveis que depois podem devolver à loja, recebendo a tara paga.

Segundo a associação, há mesmo países em que há um sistema único onde os diferentes prestadores aderem ao mesmo sistema de reutilização e os mesmos recipientes podem ser usados em diferentes estabelecimentos.

Já em relação aos sacos de plástico, a Zero defende que a contribuição (de 12 cêntimos por cada saco leve) deve ser alargada a todos os sacos que não estejam preparados para reutilização de longo curso, independentemente da sua composição material e gramagem. E que o valor de 12 cêntimos por cada saco “deve sofrer um aumento progressivo de cinco cêntimos a cada ano”.

Quanto aos copos para bebidas de uso único, defende uma taxa por cada unidade vendida e que os estabelecimentos ou eventos ofereçam alternativas reutilizáveis sem custo (por exemplo, com uma tara que é paga e devolvida quando copos são entregues, como já acontece em alguns casos).