As comunicações tem-se relevado fundamentais para quem está na linha da frente do combate à pandemia, mas também para quem tem de ficar em casa a trabalhar. Privados de familiares e amigos. 

Nos dados fornecidos pelas operadoras à TVI24, saltam à vista o crescimento da utilização de internet fixa e de chamadas telefónicas. A Comissão Europeia definiu regras de contingência para o uso das redes e em Portugal, o Decreto-Lei n.º 10-D/2020 de 23 de março também já veio estipular o que é prioritário em termos de comunicações em tempos de pandemia. Se em algum momento não conseguir fazer tudo o que quer e tal não for prioritário, não estranhe, é por uma boa causa.

A Altice, antiga Portugal Telecom, refere que a voz móvel subiu 30% na semana entre 16 e 22 de março, quando comparada com a anterior. Também as chamadas fixas dispararam 80%. Nos dados, a Altice destaca a internet residencial que subiu 35%, no período, com o móvel mais atrás a aumentar 10%.

O crescimento do consumo serviços de streaming Over The Top (OTT) (sem especificar canais) foi de 45%, revela ainda a operadora dona da MEO.

Sobre o crescimento de tráfego de dados de rede fixa, a NOS fala de cerca de 70%, entre 16 e 22 de março, na comparação com as semanas anteriores. Com o período de maior utilização a registar-se pelas 19:00, crescendo 35% à hora de pico.

No caso desta operadora, o dado mais significativo surge no tráfego de voz residencial fixa que “disparou 133%, com o período de maior utilização a registar-se também pelas 19:00, com um crescimento de 142% à hora de pico”, diz fonte oficial.

E se o tráfego de dados móvel da NOS registou um crescimento de 45%, o de voz móvel só ficou pouco atrás, "a crescer 41%.”

Entre 16 e 22 de março, a Vodafone registou um “aumento de 67%” no tráfego de dados na rede fixa, bem como um “crescimento do consumos de serviços de streaming OTT de 25%”, afirma fonte oficial à TVI24.

A par disso, a voz móvel também registou “um aumento de 41%, enquanto a internet no telemóvel um crescimento de 8%.”

ALGUNS SERVIÇOS MAIS LENTOS? TALVEZ

Diz o Decreto-Lei n.º 10-D/2020 que “as empresas que oferecem redes de comunicações públicas ou serviços de comunicações eletrónicas acessíveis ao público devem dar prioridade à continuidade da prestação dos serviços críticos.”

Neste sentido, em locais, por períodos e em situações, em que não for possível carregar mais as antenas e o débito de fibras estiver em máximos, os operadores terão de redirecionar a prestação para serviços críticos previstos na lei.

É disso que se trata.  Não quer dizer que venha a acontecer. Ao que apurou a TVI24, poderá haver serviços a chegarem em melhor ou pior condição pelas contingências do momento. Será o caso do Netflix ou dos jogos, tal como noticiou também o Jornal de Negócio.

A título de exemplo: se em um determinado local as células estão sobrecarregadas, em determinado momento, é mais crítico utilizar a fibra e antenas para fornecer o hospital da área em causa, do que garantir o consumo de jogos e filmes a alguém que está a jogar em casa. Mas pode haver locais em que esta situação nem se coloque.

Sobre a qualidade, dos serviços de streaming OTT, como o Netflix, a própria Comissão Europeia determinou  a redução de qualidade, para a rede ficar mais disponível para atual contingência dos países na União.

A respeito do tema o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, disse hoje à Lusa que "não há qualquer indício, até à data", de que as operadoras estejam na iminência de restringir acesso a serviços como Netflix.

E garantiu que Altice Portugal tem estado a trabalhar com a associação dos operadores de telecomunicações Apritel e em colaboração com o Governo "em todas as medidas que afetam o setor.

O diploma "prevê a capacidade de podermos tomar essas medidas, quando e se chegarmos a uma situação em que é necessário. Neste momento, é de tranquilidade. Não há necessidade, não foram tomadas, não estamos a prever nos próximos dias, pelo menos", prosseguiu.

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Alda Martins