A bolsa de valores do Brasil, BR&FBovespa), suspendeu esta manhã (tarde já em Lisboa), por 30 minutos, as negociações de ações, na sequência do escândalo de suborno no qual estará implicado o presidente do país, Michel Temer, e o senador brasileiro Aécio Neves, do seu partido.

O índice Ibovespa, onde estão listadas as ações das principais empresas do país, afundou 10,47%, ao fim de 20 minutos de sessão, o que levou àquela tomada de decisão.

Entre as maiores quedas, a do setor financeiro, que é aquele que tem o maior peso no índice. O Banco do Brasil patina 18,51%. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco também estão a ressentir-se: 13,21% e 11,83%. Já as ações preferenciais da Petrobras, a petrolífera brasileira, caem 12,29%.

Depois de ter sido retomada a negociação, e pelas 15:30 de Lisboa, a queda da bolsa brasileira estava ainda acima dos 8%. No gráfico seguinte, da Reuters, é possível ver o recuo pronunciado de hoje, face aos últimos cinco dias.

Reuters

A moeda brasileira, o real, também está a derrapar bastante, 8,82%, face ao dólar. Em ambos os casos, tudo por causa deste escândalo que foi noticiado pelo jornal O Globo.

Entretanto, o Banco Central do Brasil está a acompanhar o impacto das notícias que dão conta que o presidente Michel Temer deu o seu aval a tentativas de subornar uma possível testemunha na importante investigação de corrupção Lava Jato.

O Banco Central está a acompanhar de perto as informações divulgadas recentemente pelos media e actuará para manter o pleno funcionamento dos mercados. Tal acompanhamento e acção estão focados no bom funcionamento dos mercados. Não há relação directa e mecânica com a política monetária, que permanecerá focada nos seus objectivos tradicionais", cita a Reuters.

Temer terá sido gravado pelos donos da empresa JBS, uma as maiores produtoras de proteína animal do mundo, autorizando o pagamento de um suborno ao ex-deputado Eduardo Cunha.

A gravação

A gravação citada pelo jornal brasileiro foi feita pelo empresário Joesley Batista num encontro que teve com Michel Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial do Presidente brasileiro, no dia 7 de março.

Joesley Batista disse ao chefe de Estado brasileiro que estava a dar ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador financeiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão, para eles ficarem calados. Segundo o jornal, Michel Temer terá respondido: "Tem que manter isso, viu".

No seu depoimento aos procuradores, Joesley Batista afirmou que não foi Michel Temer quem determinou o pagamento em troca do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, mas disse que o Presidente tinha pleno conhecimento da operação, apelidada por ele de "cala-boca".

Michel Temer já veio negar a acusação através de um comunicado divulgado na noite de quarta-feira pelo Palácio do Planalto, que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio de ex-deputado Eduardo Cunha".

Entretanto, o deputado brasileiro Alessandro Molon, do partido Rede, já formalizou um pedido de destituição contra o Presidente do Brasil, na Secretaria-Geral da Câmara Baixa do parlamento. O presidente brasileiro arrisca-se ao mesmo processo de impeachment que destituiu Dilma Rousseff e que o levou a ele à presidência.