Os sindicatos da indústria vidreira exigiram esta quarta-feira a “intervenção do Governo” para “impedir” o despedimento coletivo dos 130 trabalhadores da fábrica da Saint-Gobain Sekurit, em Santa Iria da Azoia, que consideram “inadmissível” e um “atentado”.

A Federação [Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro] e o Sindicato [dos Trabalhadores da Indústria Vidreira] consideram este despedimento inadmissível, razão pela qual exigem a intervenção do Governo de forma a impedir este atentado contra os trabalhadores e as suas famílias, a produção nacional e a economia do país”, sustentam em comunicado.

Manifestando a “mais firme oposição” à anunciada intenção da Saint-Gobain Sekurit de encerrar a produção de vidro automóvel em Portugal, as estruturas sindicais vão organizar plenários com os trabalhadores “para decidir as medidas a tomar” e solicitar reuniões, nomeadamente aos ministros da Economia e do Trabalho.

É preciso impedir o despedimento coletivo na Saint-Gobain Sekurit”, sustentam, considerando tratar-se de “um crime”.

De acordo com os sindicatos, em 2013 o grupo tinha já efetuado um despedimento coletivo “a pretexto de garantir o futuro da empresa”, sendo que, “depois, congelaram os salários durante três anos e comprometeram-se a implementar um plano que garantia trabalho nas linhas e a produção do vidro automóvel em Portugal”.

Agora, e com a desculpa da pandemia da covid-19 e da situação da Autoeuropa (que teve em 2020 o seu ‘terceiro melhor ano de sempre’), comunicaram que, apesar do corte nos direitos e da redução nos custos de pessoal, a fábrica não era suficientemente competitiva”, referem.

Para sindicato e federação, “afinal, o plano estratégico que antes anunciaram era um embuste, porque não só não aumentou a produção, como a pretende agora aniquilar e despedir todos os trabalhadores”.

Objetivamente querem transformar a fábrica de Santa Iria da Azoia num armazém, dispensando profissionais altamente qualificados na produção de vidro automóvel e prejudicando a economia regional e nacional”, denunciam.

 

Ou seja – acrescentam - a mais-valia da produção fica para outros, os lucros para os acionistas e os prejuízos económicos e sociais para nós”.

No comunicado, as estruturas sindicais acusam ainda a empresa de, “hipocritamente, elogiar os trabalhadores no preciso momento em que estão a tentar mandá-los para o desemprego”.

Haja respeito por quem trabalha e tem contribuído ao longo dos anos para a afirmação da qualidade da produção de vidro automóvel em Portugal e no estrangeiro. Esta é uma luta pela defesa dos nossos postos de trabalho e dos interesses do nosso país”, sustentam.

A Saint-Gobain Sekurit anunciou na terça-feira que vai cessar a atividade produtiva em Portugal “devido aos prejuízos acumulados nos últimos anos”, tendo já iniciado o processo de despedimento coletivo dos 130 trabalhadores.

A Saint-Gobain Sekurit Portugal vai cessar a sua atividade produtiva devido aos prejuízos acumulados nos últimos anos, causados pela crise do setor automóvel e agravados pela baixa competitividade dos produtos da empresa face aos seus concorrentes no mercado internacional”, referiu a empresa do grupo Saint-Gobain em comunicado.

De acordo com a empresa, e “face à situação que ao longo dos últimos anos tem penalizado os trabalhadores, que viram os seus salários congelados, a Saint-Gobain Sekurit Portugal irá propor indemnizações superiores às previstas legalmente, além de benefícios complementares ao valor da indemnização que, de algum modo, ajudem a compensar a perda dos postos de trabalho”.

Entre 2018 e 2020, a fabricante de vidro automóvel - implantada em Santa Iria da Azoia, no município de Loures - diz ter acumulado um prejuízo de 8,5 milhões de euros, cobertos pelo acionista “através de financiamentos sucessivos”.

Em 2019 registou “um decréscimo no volume de negócios de 18%, correspondente a uma quebra de 10 milhões de euros, que se acentuou em 2020 com uma diminuição de 37%, cerca de menos 17 milhões de euros”, acrescenta a empresa.

Todos os indicadores financeiros da empresa são negativos e não se vislumbra que nos próximos anos possam ser invertidos, colocando pressão sobre outras unidades do grupo, que estão a suportar os prejuízos da Saint-Gobain Sekurit Portugal”, conclui.

/ CE