O número de empresas com suspensão temporária de contratos de trabalho (‘lay-off’) no ano passado totalizou 161, mantendo a tendência de decréscimo dos últimos anos, segundo um estudo que será divulgado esta terça-feira.

Este número representa quase um quarto do valor registado cinco anos antes.

O sumário executivo do Relatório sobre Emprego e Formação, do Centro de Relações Laborais (CRL), cita dados estatísticos disponibilizados pelo Instituto de Segurança Social para referir que 161 entidades empregadoras estiveram em situação de ‘lay-off’, no decurso de 2017, acentuando o decréscimo iniciado em 2014.

Isto depois de, em 2012 e 2013, se terem registado os valores mais elevados da década, anos em que 550 e 547 empresas, respetivamente, recorreram à suspensão temporária dos contratos de trabalho.

O estudo salienta ainda que em 2017 foram comunicados ao Ministério do Trabalho 396 processos de despedimento coletivo, que abrangeram um total de cerca de 3,5 mil trabalhadores.

Em relação a 2016, o ano passado registou um decréscimo na ordem dos 6%, o que correspondeu a menos 25 processos de despedimento coletivo comunicados.

Mais população ativa

Já quanto à população ativa em Portugal Continental, houve um crescimento de 0,8% entre 2016 e 2017, o primeiro aumento desde 2008, enquanto os inativos decresceram 9,6%, revela um estudo que será hoje divulgado pelo Centro de Relações de Laborais (CRL).

De acordo com o sumário executivo do relatório sobre Emprego e Formação, o crescimento verificado foi mais significativo na população ativa feminina e no escalão etário dos 55 aos 64 anos (mais 6,2%).

A taxa de atividade portuguesa mantém-se em níveis superiores aos verificados na União Europeia, mas nos escalões mais jovens registou um decréscimo sistemático desde 2008 (40,9%) até 2017 (34%), enquanto na UE estabilizou em torno dos 42%.

A população inativa tem vindo a decrescer e, em 2017, tinha menos 44 mil pessoas do que no ano anterior, sendo esta redução a primeira na última década.

Segundo o estudo do CRL, os inativos “disponíveis que não procuram emprego”, no Continente, eram cerca de 195 mil pessoas, ou seja, 5,6% do total dos inativos, número este que decresceu 9,6% entre 2016 e 2017.

O aumento da população ativa não compensou a diminuição da população inativa, mantendo-se a tendência anterior para a diminuição da população total residente no Continente em 2017, que foi de menos 0,2% face a 2016, em parte justificada pelo saldo migratório negativo, que corresponde a menos 8,3 mil indivíduos.

Volume de emprego

O estudo refere que o volume de emprego em 2017 atingiu o nível mais elevado dos últimos sete anos, ultrapassando o valor observado em 2011 em mais 10,7 mil pessoas.

Durante 2017, com mais 143 mil empregados, o emprego cresceu o triplo do aumento observado em 2016, mais 54 mil, tendo aumentado de forma semelhante para ambos os sexos.

Mas o crescimento do emprego não foi homogéneo entre os diferentes escalões etários, tendo-se verificado uma diminuição do emprego no escalão etário dos 35 aos 44 anos e uma variação positiva do emprego nos escalões mais jovens, dos 15 aos 34 anos, pela primeira vez na última década.

No período em análise, em média, as qualificações da população empregada aumentaram.

A população empregada com o ensino secundário cresceu 6,4%, a população empregada com o ensino superior 3% e a população com o ensino básico 1,7%.

Em 2017, no Continente, 78% dos 3.756,4 mil trabalhadores por conta de outrem tinham contratos sem termo e 18,4% tinham contratos a termo.

Em termos setoriais, a população empregada na indústria, construção, energia e água (25,3% do total) cresceu mais (4,2%) do que a população empregada nos serviços (68,5% do total, com um crescimento de 3,8%), enquanto o emprego na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca que representava 6,2% do emprego, registou um decréscimo de 5,4% face a 2016.

Os subsetores das Indústrias Transformadoras que revelaram um crescimento mais significativo em 2017 foram a fabricação de equipamento informático, equipamento para comunicação e produtos eletrónicos e óticos, fabricação de equipamentos elétricos, fabricação de máquinas e equipamentos (mais 10 mil pessoas), as indústrias metalúrgicas de base (mais 7,7 mil) e a Indústria têxtil (mais 7,3 mil pessoas).

No caso dos serviços, foram o alojamento, restauração e similares (mais 39,6 mil pessoas), as atividades administrativas e dos serviços de apoio (mais 14,9 mil pessoas) e os transportes e armazenagem (mais 13,9 mil).

O estudo destaca ainda o crescimento do emprego nas atividades de saúde humana e apoio social, que foi contínuo na última década, tendo aumentado em cerca de 120 mil pessoas entre 2008 e 2017.

A análise do CRL lembra que em 2017 estavam desempregadas 438 mil pessoas, o que representa um decréscimo de 19,3% (menos 104,7 mil pessoas) relativamente ao ano anterior.

O estudo refere dados do Instituto de Informática do Ministério do Trabalho para afirmar que em 2017 havia cerca de 171,3 mil beneficiários com prestações de desemprego.