O Presidente da República nega que os memorandos de entendimento estejam a ser cumpridos «cegamente», sublinhando que têm sido feitos ajustamentos, apesar de ser necessário dar maior prioridade ao crescimento económico e à criação de emprego.

Numa entrevista à «Euronews» concedida no âmbito da visita que realizou esta semana às instituições europeia, Cavaco Silva recusa a ideia que os memorandos de entendimento estejam a ser cumpridos «cegamente», sem respeitar as consequências das medidas impostas.

«Não é isso que tem vindo a acontecer, na medida em que alguns ajustamentos têm vindo a ser feitos nos programas. Tem vindo a ser concedido mais tempo para os países saírem da situação de défice excessivo, o caso de Portugal», disse, citado pela Lusa.

Contudo, acrescentou, é fundamental que seja atribuída uma prioridade maior ao crescimento económico e à criação de emprego, caso contrário «o divórcio entre cidadãos europeus e os líderes acentua-se ainda muito mais».

Na curta entrevista, de menos de dez minutos, o Presidente da República repete a ideia já defendida esta semana de se refletir sobre a composição e o papel da troika, questionando se não será melhor a responsabilidade do desenho das políticas, do acompanhamento dos programa e dos ajustamentos, ficar plenamente nas instituições europeias.

«Os objetivos da União Europeia são bem diferentes dos objetivos do Fundo Monetário Internacional», frisou.

A nível de política interna, Cavaco Silva voltou a afastar a possibilidade de uma crise política, insistindo que se isso acontecesse o país ficaria numa situação muito pior do que aquela que vive hoje.

Questionado sobre a falta de responsabilização judicial de responsáveis pela situação de crise, nomeadamente dos envolvidos na «gestão ruinosa de empresas públicas», o chefe de Estado recusou generalizar, considerando que apesar alguma crise na Justiça, nomeadamente no que diz respeito à celeridade dos processos, por exemplos os empresários reconhecem que a Justiça é justa.

«Não é correta a visão que transmitiu até porque a transparência da vida pública em Portugal é muito forte», disse.

E, acrescentou, relativamente aos governantes, hoje em dia são objeto de «um escrutínio permanente» por parte da comunicação social e parte da opinião pública.

«Duvido que noutro país aconteça mais transparência e mais escrutínio dos governantes do que aquele que se verifica neste momento», sublinhou.
Redação