O ministro do Ambiente anunciou esta terça-feira que serão efetuados estudos técnicos para expandir futuramente a rede da Metro do Porto a três novas linhas, designadamente a Gondomar, Maia e Gaia, sem existirem, contudo, garantias de financiamento. Esta terça-feira soube-se que as ligações Casa da Música – Estação de S. Bento, no Porto, e Santo Ovídeo – Vila D’Este, em Gaia, serão as próximas a construir e os respetivos concursos públicos deverão ser lançados em maio de 2018.

Em reunião do conselho de administração da Metro do Porto, que se realizou esta manhã, “ficou combinado que há três outras linhas que irão ter, do ponto de vista dos estudos, igual calendário” às duas novas ligações no Porto e em Gaia que serão construídas até 2021, afirmou João Pedro Matos Fernandes.

Em conferência de imprensa, o ministro referiu que os estudos serão efetuados para uma nova ligação a Gondomar, que ligará o Estádio do Dragão (Porto), por Contumil, até ao centro daquele município, para uma ligação entre o polo universitário da Asprela, junto ao Hospital de S. João (Porto), e a Maia e uma terceira que ligará a Casa da Música (Porto) até às Devesas (em Gaia), “com uma ponte”.

“É da maior importância garantir, num futuro mais próximo possível, toda a coesão territorial com os concelhos a norte e a nascente da cidade do Porto, e uma segunda ligação a Gaia, concelho densamente povoado”, referiu Matos Fernandes, salientando que no âmbito deste quadro comunitário de apoio (2014-2020) “não será possível” encontrar financiamento.

“No âmbito deste quadro comunitário de apoio não será possível [encontrar financiamento para estas três linhas], só será possível num futuro pacote financeiro integrado noutro quadro comunitário de apoio”, disse, acrescentando acreditar que tal será “possível”.

Matos Fernandes reafirmou considerar “errado” não se prever a expansão das redes dos metros do Porto e de Lisboa neste quadro comunitário de apoio, uma vez que “outros países da Europa têm projetos como estes a serem financiados”.

O ministro do Ambiente adiantou também que, face aos estudos efetuados agora no âmbito da expansão da rede do metro do Porto demonstrarem que a ligação ISMAI (Maia) - Trofa não é rentável, o Governo “está a estudar uma solução” de mobilidade que garanta a ligação à Trofa.

“Porque sabemos e reconhecemos a injustiça cometida com o retirar do canal de comboio na Trofa, estamos a estudar uma solução que garanta a integridade daquele público como canal público para a mobilidade”, disse, acrescentando tratar-se de “um estudo de transporte que não inclua o modo ferroviário mas que garanta a solução, que será construída e desenhada com a Câmara da Trofa”.

 

Novas ligações vão servir mais de 30 mil clientes por dia

Sobre as ligações Casa da Música – Estação de S. Bento, no Porto, e Santo Ovídeo – Vila D’Este, em Gaia, hoje anunciadas como as próximas a construir no âmbito da expansão da rede do Metro do Porto e cujos concursos públicos deverão ser lançados em maio de 2018, Matos Fernandes considerou serem aquelas “que fazem mais sentido e geram maior procura”.

O ministro destacou ainda que, “das novas estações integradas nestas linhas”, o metro vai servir o Centro Materno-Infantil e o Hospital de Santo António, no Porto, e o Hospital Santos Silva, em Gaia, “três polos geradores de grande tráfego”.

“Dentro deste Governo, a política do transporte ganha uma dimensão muito expressiva e isso só é possível com o regresso dos investimentos”, sublinhou.

Estas ligações permitirão transportar mais de 30 mil novos clientes por dia.

Em conferência de imprensa, o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, Jorge Delgado, afirmou que estas duas novas ligações são as que se revelam “uma solução ótima” por permitirem maior ganho de receita e uma maior taxa de cobertura, de acordo com os estudos efetuados.

Com estas duas novas ligações, o metro irá crescer quase seis quilómetros no Porto e em Gaia, e somar sete novas estações à rede.

De acordo com o projeto apresentado, a nova ligação no Porto – Linha Rosa –, será enterrada e ligará a Casa da Música, na Boavista, à estação ferroviária de S. Bento, na Baixa do Porto, tendo um custo estimado de 181 milhões de euros.

Esta ligação, que recupera parte dos traçados da denominada Linha Circular, anunciada em 2007, e da Linha do Campo Alegre, implicará a construção de novas quatro paragens: Casa da Música (com ligação subterrânea pedonal à atual estação), Galiza, Hospital de Santo António e Estação de S. Bento (com ligação subterrânea à estação ferroviária).

Já a extensão da Linha Amarela de Santo Ovídio a Vila D’Este, em Gaia, cuja construção está orçada em 106 milhões de euros, será construída à superfície e terá três paragens: Manuel Leitão (próxima da escola EB 2,3 Soares dos Reis e da RTP), Hospital Santos Silva e Vila D’Este (próxima da urbanização onde habitam cerca de 16 mil pessoas).

Jorge Delgado apontou o arranque das obras para 2019, devendo os concursos públicos ser lançados em maio de 2018.

A construção destas novas ligações no Porto e em Gaia foi hoje aprovada pelo conselho de administração da empresa, que reuniu esta manhã, antes da apresentação dos projetos aos jornalistas.