Cerca de 150 técnicos de manutenção de aeronaves da TAP concentraram-se esta segunda-feira junto às instalações da companhia, em Lisboa, solidarizando-se com os 25 técnicos que a administração colocou em casa e em defesa de uma “restruturação verdadeira”.

O processo começou por volta de 19 de abril e foram enviadas cartas para uma série de colegas que foram colocados em casa e neste momento estão à espera sem saberem o que lhes vai acontecer relativamente ao futuro”, disse à Lusa o presidente do SITEMA – Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronáutica, Paulo Manso.

E prosseguiu: “Vemos tudo isto de uma forma muito apreensiva, porque nós, ao contrário de uma série de outras classes (na empresa) não acompanhámos o crescimento da frota, portanto, estávamos muito aquém do número de pessoas que era necessário para fazer o trabalho como deve ser feito em relação aos aviões”.

Agora, havendo uma redução, o espectável era não reduzir o número de técnicos de manutenção aeronáutica e que ficássemos mais ajustados àquilo que é o número de aviões que temos”, realçou.

Além da concentração, o SITEMA tornou também público um manifesto em que apresenta medidas para a reestruturação da companhia aérea portuguesa e aprovou uma moção de solidariedade e preocupação face ao que está a acontecer com a reestruturação.

Para o líder sindical, o que a administração da TAP está a fazer com a reestruturação é “mandar mais pessoas embora".

Estamos a agravar mais ainda uma situação que já de si era grave e que agora, com a falta de profissionais a este nível, será pior", já que um técnico demora 10 anos de formação a estar capacitado, descreveu.

No fundo, "é impossível" manter uma companhia sem termos manutenção de aeronaves, pelo que isto vai ser um “desafio muito grande” para a própria empresa que enfrenta "novos problemas" num negócio onde há uma “forte concorrência” por parte das outras transportadoras aéreas, defendeu Paulo Manso.

Além disso, há uma "situação mais grave" que tem a ver com o facto de, “devido à reestruturação feita a nível europeu e mundial, quando o mercado retomar, a procura vai ser ainda mais premente”, pelo que vamos ter um duplo problema “falta de pessoas e saída das pessoas que cá ficaram”, frisou.

Segundo as linhas gerais do manifesto divulgado pelo sindicato, o documento ‘Por uma verdadeira reestruturação da TAP’, este defende medidas que promovam a “dinamização económica da área de manutenção e engenharia", aumentando a rendibilidade dessa área para o grupo de aviação.

O sindicato diz que "não compreende" como a TAP recusa trabalho na área de manutenção e engenharia e envia aviões para manutenção no Brasil, “ao mesmo tempo que se colocam trabalhadores em ‘lay-off’ e se prepara a desvinculação de outros por, alegadamente, não haver trabalho”.

O SITEMA afirma concordar com a necessidade de reestruturar a TAP e pede sobretudo "transformações no desenho da estrutura hierárquica e no aumento da eficiência competitiva da empresa”.

O dia escolhido para a concentração, 24 de maio, deve-se ao facto de ser a data de nascimento do norte-americano Charlie Taylor, cujos fundamentais conhecimentos mecânicos foram usados para, juntamente com os irmãos Wright, desenvolver a primeira aeronave com propulsão mecânica.

Para o SITEMA, nos últimos anos mais de 100 profissionais decidiram abandonar a TAP devido às condições contratuais e na antevisão do atual Plano de Reestruturação a companhia dispensou mais de 120 técnicos de manutenção entre fins de contrato e cancelamento de formação base, de um total de 820 profissionais.

Além disso, afirma que o número de técnicos de manutenção aérea na TAP está abaixo da média do existente em outras companhias aéreas de referência.

Sobre a recente reestruturação da empresa, o SITEMA tem vindo a acusar a TAP de não cumprir integralmente o Acordo de Emergência assinado por profissionais seus associados estarem a ser convocados para rescisões por mútuo acordo.

Segundo o sindicato, os associados estão a ser contactados para saírem da empresa "quando as cláusulas do Acordo de Emergência assinado entre as partes previam que esta seria a última fase do processo e aplicável, se necessário, após a implementação da redução voluntária de 15% da massa salarial”.

Para o sindicalista, está-se num "processo irracional de dispensa de colegas, alguns deles altamente qualificados e que vão tornar a empresa mais pobre. Já vimos este filme em 1994. E também acabou por correr mal", advertiu.

/ MJC