Os trabalhadores da Carris decidiram que há condições para continuarem as negociações com a administração para a revisão do Acordo de Empresa, pelo que não vão avançar para já com formas de luta, disse hoje fonte sindical.

A decisão dos trabalhadores da empresa de transporte rodoviário de passageiros de Lisboa foi tomada no decurso de vários plenários realizados entre 07 e 13 de janeiro.

Em declarações à Lusa, Manuel Leal, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), explicou que os trabalhadores “mostraram disponibilidade para que os sindicatos [FECTRANS/STRUP Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal] continuem a fazer a pressão necessária nas negociações”.

“Não há ainda propostas de luta pois os trabalhadores acreditam que as condições para as negociações ainda persistem”, frisou.

O sindicalista adiantou que a FECTRANS/STRUP está à espera “que a última proposta apresentada pelos sindicatos seja analisada pelo Conselho de Administração” da Carris, cuja resposta deverá “estar para breve”.

“Fundamentalmente, a proposta tem a ver com o aumento salarial que tem vindo a sofrer uma perda acumulada com a inflação desde 2009”, explicou Manuel Leal, adiantando que, se os salários tivessem vindo a ser atualizados, os trabalhadores ganhariam cerca de 100 euros mais.

O sindicalista avançou que aquilo que os trabalhadores estão a pedir é um aumento de 90 euros, considerando que a proposta de aumento salarial da FECTRANS não está desfasada da realidade.

Entre as propostas da FECTRANS/STRUP encontra-se também a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais e a consagração do direito ao transporte na Área Metropolitana de Lisboa (AML) para os trabalhadores.

Após duas reuniões do processo de revisão do Acordo de Empresa para 2020, e segundo um comunicado da FECTRANS, a Carris fez saber que “só estará em condições de admitir uma redução, mesmo que faseada, para as 35 horas semanais, após estabilização do quadro de trabalhadores”.

Quanto ao direito ao transporte na AML, sem clarificar a posição da administração relativamente à proposta da FECTRANS, a empresa afirmou “não ter dúvidas que em 2020 haverá um título de transporte que garanta aos trabalhadores a sua deslocação na área metropolitana”.

Em relação ao aumento salarial, a empresa apresentou em fase inicial uma proposta de 20 euros de aumento para cada trabalhador e evoluiu posteriormente para 25 euros.