O tema do filme é inevitavelmente a Caixa Geral de Depósitos. Maria Luís Albuquerque disparou hoje na direção de António Costa, que acusou o anterior Governo de maquilhar o que se passava no banco do Estado para conseguir uma saída limpa do programa de resgate e respondeu também ao Tribunal de Contas que acusou as Finanças de "falta de controlo" na CGD entre 2013 e 2015, era ela a titular da pasta.

Não entendo exatamente em que contexto é que a IGF pudesse acrescentar transparência ou maior controlo sendo que uma entidade do setor financeiro tem exigências de controlo muito superiores". 

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A antiga ministra das Finanças começou por frisar que ainda não leu o relatório, só passou os olhos por algumas notícias. Mas mesmo assim fez questão de sublinhar que "a CGD e todos os bancos estão sujeitos a um nível de escrutínio muito mais exigente e rigoroso do que qualquer outra entidade do setor público empresarial". E enumerou o universo desse controlo, feito pelo Banco de Portugal , BCE, mecanismo único de supervisão e Direção-Geral de Concorrência. 

Sobre a aprovação de contas do banco público sem toda a informação completa, como é referido no relatório do Tribunal de Contas, Maria Luís relativiza, dizendo que esse OK era dado "com toda a informação necessária e mais uma vez é escrutinada é acompanhada por entidades europeias".

"Costa repete mentiras"

A declaração que fez aos jornalistas começou, porém, com outra questão, ainda que ver com a Caixa Geral de Depósitos: as declarações de António Costa na entrevista que deu ontem à RTP. 

Costa repetiu uma mentira certamente na convicção de que uma mentira repetida muitas vezes passa a ser verdade. Repetiu que o anterior governo ocultou a verdadeira situação do sistema financeiro, incluindo da CGD, para assegurar a saída limpa. Ao fazer uma acusação festa gravidade, mesmo se falsa, não põe em causa apenas anterior governo, mas também administração anterior da CGD (...) e coloca em causa reguladores e supervisores incluindo a DGCom e auditores a quem diz agora que confia".

Voltou a repetir que para uma operação urgente como o Governo classificou da recapitalização do banco "até agora só temos conversa". E continuou no tom acusatório.

António Costa procura desviar atenções da incompetência da sua gestão no processo da Caixa repetindo acusações falsas de forma irresponsável".

Queixou-se que o primeiro-ministro não responde perante o Parlamento sobre o assunto e lembrou que o Governo PSD/CDS "encontrou problemas gravíssimos" no setor financeiro e desde logo procedeu à recapitalizacao da grande maioria dos bancos.

Foi feito um trabalho sério e competente, incluindo na CGD. O Governo entrou em funções há um ano e até agora não fez nada".