O presidente da Comissão Europeia saiu esta quinta-feira em defesa do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de Cavaco Silva ter dito que a instituição deveria ser excluída da troika que está a ajudar os países europeus em dificuldades.

Numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República, Durão Barroso sublinhou que as decisões tomadas nos programas de ajuda externa são da responsabilidade dos estados-membros e não dos membros da troika.

«Quem toma decisões não é a troika. Todas as decisões foram tomadas por unanimidade pelos estados-membros da Zona Euro. As instituições da troika atuam dentro de um mandato que lhes é dado», explicou, falando ao lado de Cavaco Silva.

Exemplificando com o caso mais recente, o de Chipre, o presidente do executivo comunitário explicou que «os Estados disseram que podiam emprestar X. E não pode ir além disso. Quando as instituições desenham o programa, têm de se basear» naquilo que é transmitido pelos Estados-membros.

Não são as instituições externas «quem toma as decisões, quanto ao programa da Grécia, de Portugal, da Irlanda ou Chipre. A responsabilidade é deles», disse.

«Na preparação temos responsabilidades. E eu não fujo» delas, garantiu. Mas «o que aconteceu foi que no início alguns governos puseram como condição» que o FMI fizesse parte da equipa de resgate, além das instituições europeias. «Foi uma exigência deles», sublinhou.

«No futuro penso que há mais do que condições para que as instituições europeias assumam na plenitude» a ajuda a países em dificuldades. Mas «os programas atuais estão desenhados, acordados e seria completamente contraproducente qualquer reformulação. No futuro sim, é possível, mas depende da vontade dos estados-membros».

«Às vezes não é conveniente assumir responsabilidades, mas a verdade é que elas são dos Estados-membros».
Redação