O primeiro-ministro português escreveu um artigo no «Wall Street Journal», em conjunto com o primeiro-ministro da Finlândia. Pedro Passos Coelho e Jyrki Katainen defendem um acesso mais fácil ao financiamento para as Pequenas e Médias Empresas (PME) como forma de promover o crescimento e o emprego. Os dois chefes de Governo querem ações a nível europeu e apresentam propostas concretas.

Nesse artigo, publicado esta segunda-feira na edição «online» e na terça-feira na versão em papel daquele jornal norte-americano, com o título «Libertar as PME da Europa para o emprego», Pedro Passos Coelho e Jyrki Katainen defendem a concretização de uma união bancária europeia, um reforço da atuação do Banco Europeu de Investimento (BEI) e «métodos inovadores» para mobilizar financiamento, como a securitização de empréstimos.



«O desemprego, especialmente o desemprego jovem, é intoleravelmente elevado na Europa, e a fragmentação financeira está a piorar em muito a situação. Não podemos tolerar o desemprego causado por falta de financiamento e ineficiente fluxo de capitais na Europa», escrevem.



Os chefes dos executivos de Portugal e da Finlândia escreveram também uma carta aos presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Banco Central Europeu, Mario Draghi.



De acordo com uma fonte do gabinete de Pedro Passos Coelho, citada pela Lusa, o Governo português tem estado a trabalhar para «construir pontes» com os parceiros europeus e combater as divisões criadas pela crise da zona euro, «aproveitando a credibilidade que Portugal conseguiu» nos últimos dois anos.



O executivo PSD/CDS-PP tem apontado a fragmentação financeira como um fator de concorrência desigual na União Europeia, prejudicial sobretudo aos países do sul da Europa, e tem insistido na rápida concretização de uma união bancária.



De acordo com a mesma fonte, «o Governo finlandês partilha a perspetiva portuguesa nesta matéria» e «existe um apoio sem ambiguidades da Finlândia à união bancária».



No artigo que assinam no Wall Street Journal, Passos Coelho e Katainen começam por afirmar que «Portugal e a Finlândia - dois países em extremos opostos do continente Europeu - têm antecedentes históricos diferentes, mas partilham uma agenda alargada para o futuro da Europa».



Assinalando o «fraco» crescimento económico na Europa, os primeiros-ministros português e finlandês declaram-se preocupados com o «difícil acesso ao financiamento

a preços razoáveis» por parte das PME, que referem serem responsáveis por dois terços dos empregos do setor privado no espaço europeu.



«Isto está a afetar a economia e a dificultar a recuperação em países como Portugal, onde reformas profundas têm sido levadas a cabo», escrevem os governantes. Passos Coelho e Katainen acrescentam que, se a Europa quer criar empregos, tem de urgentemente «libertar o potencial das pequenas e médias empresas» e ajudá-las «a obter financiamento para os seus investimentos viáveis».



No entender de Passos Coelho e Katainen, a «solução europeia» para este problema implica «corrigir as deficiências» do mercado único no que respeita aos serviços financeiros, o que significa «resolver as falhas de supervisão e de regulação».



«Um elemento chave é assegurar que os bancos são adequadamente capitalizados. A evolução em curso para criar uma união bancária europeia abre caminho a um setor bancário mais forte, mais seguro e mais capitalizado», defendem.



Passos Coelho e Katainen terminam este artigo a afirmar que «os problemas europeus exigem soluções europeias» e que «a realização plena das potencialidades do mercado financeiro único é uma das tarefas mais urgentes da Europa, desde Portugal à Finlândia».