Começou com por congratular o primeiro-ministro. Passos Coelho, sim. Sobre a criação de um Fundo Monetário Europeu. "Mas os meus elogios acabam aqui". E acabaram mesmo. António Costa tinha desde logo partido ao ataque ao dizer que "o PSD não conta para nada" (isto a propósito do chumbo da TSU), mas o líder do maior partido da oposição aguentou-se e deixou a resposta para o fim. Antes, fez a sua leitura do défice de 2,3% em 2016 para fazer uma pergunta que ficou sem resposta.

"Qual foi o défice excluindo medidas extraordinárias?". O presidente do PSD diz que foi de 3,4%, com o corte "Se tivermos em conta que o Governo cortou qualquer coisa como 956 milhões ao investimento que tinha planeado, o tal investimento público que o senhor agora vem aqui dizer que este ano é que vai ser [ironiza]. Se contarmos com os 500 milhões de euros de encaixe extraordinário do PERES (o perdão fiscal), reavalização de ativos extraordinários de 125 milhões e cativações 445 milhões".

António Costa optou apenas por se rir, mas a seguir veio a tal pergunta. A resposta andou apenas nas comparações do défice de 2,3% com a meta do Orçamento e a de Bruxelas, que era pior e a quem, pelo que deu a entender ontem o ministro das Finanças, Portugal conseguiu dar uma lição.

Passos constatou que ficou sem resposta. Assim continuou. Enervou-se: "Responda à pergunta se faz favor". António Costa, de sorriso na boca, proferiu: "Terá a resposta quando o diabo cá chegar". Mais uma ironia, recuperando uma frase dita no verão pelo seu adversário político: "Gozem bem as férias que em setembro vem aí o diabo”, terá dito o líder do PSD.

Nas interpelações de hoje, ainda se ouviu o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, dizer "atenção à mobília" tais foram os nervos concretizados pelos deputados da bancada laranja pela não-resposta. "Tenha vergonha senhor primeiro-ministro, tenha vergonha", gritou, por exemplo, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim.

Ferro Rodrigues lembrou que o primeiro-ministro pode ou não responder às questões. "Tenho a certeza que o PM não precisa da sua ajuda para mostrar a sua ignorância", concluiu Passos Coelho. 

CDS também faz perguntas, respostas 'nim'

Mais à frente, Assunção Cristas perguntou qual o efeito do perdão fiscal no PIB, para perceber de onde vem a baixa de 497 milhões de euros do défice no ano passado. Costa aí respondeu que o efeito do PERES foi de 0,1 pontos percentuais. E ao facto de ter havido mais reembolsos de IRS este ano, a líder do CDS-PP afirmou que houve "porque a anterior maioria baixou os impostos". "Não venha encher a boca", lançou ao primeiro-ministro.

Também confrontou o chefe de Governo com a dívida. "Se sabe qual é o valor da dívida líquida, deve saber da dívida bruta, porque nós não sabemos". Costa respondeu que a dívida líquida baixou um ponto percentual.

"Qual é a dívida pública do nosso país neste momento? Se não responde é porque acha que é irrelevante. É 130, é 133, é quanto?", pergunta Cristas. "As estatísticas são conhecidas e a senhora deputada não faça perguntas retóricas de respostas que conhece", contrapôs o primeiro-ministro. E tentou rematar o assunto. 

Ainda bem que é [Assunção Cristas] candidata à câmara de Lisboa, porque vai ter oportunidade de verificar como eu me preocupei durante anos com a dívida. O que fiz na câmara, faço agora".

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