A Thomas Cook anunciou esta segunda-feira a falência depois de não ter conseguido encontrar, durante o fim de semana, fundos necessários para garantir a sua sobrevivência e de imediato teve efeitos nos clientes e nas estadias, já pagas, de milhares de pessoas.

As autoridades têm agora de organizar um repatriamento maciço, entre eles 150.000 para a Grã-Bretanha, sendo que, no total, há cerca de 600.000 turistas da Thomas Cook espalhados por todo o mundo.

A situação da empresa teve impacto imediato junto de clientes que gozam pacotes de férias no exterior. Muitos não conseguiram sair dos complexos, sem pagar os valores decorrentes das estadias, já depois de terem efetuado o mesmo pagamento à Thomas Cook.

Em Portugal, o Governo garante estar a acompanhar a situação. Os operadores turísticos mostram-se preocupados, apesar de a Thomas Cook mostrar um comportamento no mercado de que "tem vindo a sair, em termos de peso relativo, do Algarve face à concorrência que encontra noutros modelos de negócio como low cost e plataformas online de procura de estadias”.

Lá fora, vários cidadãos que estavam de férias, por exemplo, na Tunísia disseram no domingo à BBC que foram impedidos de sair dos hotéis.

A Thomas Cook, de acordo com a Reuters, refere que há cerca de 140 mil passageiros a voar nos subsidiários alemães da empresa, com mais 21 mil agendados para esta segunda e terça-feira.

Em Espanha, o operador Aena disse que 46 voos de hoje da Thomas Cook foram cancelados.

De acordo com fonte do ministério do turismo da Grécia, quase 50 mil turistas estão retidos no país depois de a empresa britânica ter anunciado o colapso.

O Turismo da ilha de Creta diz que a falência da empresa representa "um terramoto de magnitude 7, e o tsunami ainda está para chegar".

O presidente da Federação de Hotelaria da Turquia afirmou que no país estão nesta altura cerca de 45 mil turistas. Osman Ayik refere ainda que o colapso da empresa britânica deve representar uma diminuição de 600 a 700 mil turistas por ano no país.

Muitos turistas estão a ficar retidos nos hotéis e resorts onde estão alojados, sendo-lhes permitida a saída mediante pagamento dos valores em falta, em muitos casos pagos adiantadamente à Thomas Cook.

Os aeroportos começam também a refletir o caos, com amontoados de passageiros à espera de soluções e esclarecimentos, escreve o The Guardian.

A BBC partilhou a história de uma mulher, que estava há dois anos a planear o casamento, e que agora ficou sem os planos após o anúncio da Thomas Cook.

Estou devastada. Andávamos a planear isto há dois anos, desde que o meu irmão foi assassinado”, contou Ruth Morse, que ia casar-se em outubro no Chipre e tem agora o evento comprometido.

/ JFP