O vice-presidente da Associação Empresarial Ourém/Fátima (ACISO) Alexandre Marto admitiu hoje que a enchente de turistas e os preços elevados de Lisboa estão a contribuir para diminuir a sazonalidade de Fátima.

Está a ajudar hotelaria de Fátima, mas eu diria mais, ajuda todo o território, quando a capital está completa com preços mais altos as pessoas ponderam ficar noutros locais”, afirmou à agência Lusa Alexandre Marto.

A propósito de mais uma peregrinação internacional aniversária ao Santuário de Fátima, um ano após a visita do papa Francisco e da canonização de Francisco e Jacinta Marto, o empresário referiu que, além dos preços, “também o facto de muitas unidades em Lisboa nem sequer aceitarem ‘tour operação’ que são grupos, faz com que uma parte substancial da operação venha para Fátima.”

“Porque Fátima é a grande oferta turística de Portugal para este tipo de circuitos em todo o território, depois de Lisboa e Porto”, adiantou, para acrescentar: “Com o Porto completo e com Lisboa completa, é natural que os operadores tentem desviar mais noites para Fátima, fazendo com que alguns circuitos, por exemplo, que ficavam duas noites em Lisboa, fiquem apenas uma ou até que não fiquem nenhuma, que visitem Lisboa, mas que o façam a partir de Fátima.”

Alexandre Marto considerou, por outro lado, que a sazonalidade de Fátima é “cada vez menor, mais esbatida”, reconhecendo, no entanto, que continua a haver hotéis fechados na época baixa, “mas também cada vez menos tempo.”

Sobre 2018, um ano após o “atípico” 2017, como o classificou, o dirigente admite receios.

Há exemplos de santuários no mundo que depois de um apogeu tiveram quebras e Lourdes [França] é um caso claro de alguma coisa que está a correr mal, porque alcançou quatro milhões de noites quando fez os 150 anos [2008] e, a partir daí, tem vindo sempre a cair, sendo que o ano pós-aniversário já esteve abaixo do ano pré-aniversário”, explicou.

O seu receio, precisou, é que a taxa de ocupação hoteleira de Fátima este ano tivesse valores inferiores aos de 2016, mas, daquilo que lhe é dado a observar, “é que este ano de 2018 vai ficar acima do de 2016”.

Se este ano de 2018 encerrar com números acima de 2016, tenho esperança que a tendência não seja similar ao fenómeno de Lourdes, mas inversa, uma tendência de fortalecimento do destino Fátima, porque do ponto de vista turístico 2016 também foi excecional”, acrescentou.