O Governo garante que está a acompanhar de perto a situação da Thomas Cook, operadora que anunciou esta segunda-feira a falência e está a preocupar os operadores e turistas.

Estão a ser feitos pontos de situação com as diversas regiões, em particular no Algarve e na Madeira, e com operadores turísticos, no sentido de apurar os efeitos da falência do operador turístico Thomas Cook em Portugal quer sobre os turistas, quer sobre as empresas portuguesas", anunciou a secretaria de Estado do Turismo em comunicado.

Segundo informação da embaixada britânica, há 500 pessoas afetadas no Algarve.

No que toca a turistas portugueses que tenham adquirido pacotes da Thomas Cook, foram já acionados os mecanismos de informação e apoio ao consumidor.

No que diz respeito aos impactos para Portugal, João Fernandes, o presidente da região de Turismo do Algarve, disse à TVI que a “Thomas Cook já não era proprietária de hotéis no Algarve, ao contrário do que acontece noutros destinos no Mediterrâneo”.

Além disso, “tem vindo a sair, em termos de peso relativo, do Algarve face à concorrência que encontra noutros modelos de negócio como low cost e plataformas online de procura de estadias”.

Quanto às pessoas que se encontram no território, é “uma expressão de movimento de passageiros de cerca de 0,2 % do total de passageiros no Algarve, o que corresponde a 10 mil desembarcados da responsabilidade da Thomas Cook, sendo que parte tinha como destino Huelva para pacotes turísticos na região”.

Contudo, “felizmente o Algarve tem um conjunto vasto de rotas, o que permite facilmente alternativas para voo de regresso”, que “será assegurado pela Atol (Autoridade britânica para a Aviação Civil)”, referiu João Fernandes.

Apesar de tudo, o impacto é relativamente reduzido. Há que ponderar o facto de estas operações serem de outubro a abril. Preocupa-nos o facto de nos contratos entre operadores e hoteleiros haver diferimento do prazo de pagamento”, ou seja, para férias já gozadas, o pagamento é feito “60 a 90 dias após a realização, o que é mais difícil receber esses créditos junto de massa falida”.

Ainda assim, acrescenta o presidente da região de Turismo do Algarve, “estes créditos são atenuados porque Thomas Cook tinha como prática o adiantamento, que cobria parte da operação ate agosto. O que ficará por pagar é sobretudo a parte final de agosto e setembro”.

A Confederação do Turismo de Portugal, por sua vez, acredita que "irá trazer danos à atividade turística em Portugal", sobretudo na Madeira, refere em comunicado.

Obviamente que a falência de uma empresa com a dimensão e importância da Thomas Cook é uma péssima notícia para o turismo mundial. Sendo o britânico, o nosso principal mercado emissor [de turistas] – com uma quota de 19,6% em dormidas e 16,9% em receitas – haverá com certeza consequências negativas para as nossas empresas, ainda que menos do que nos restantes mercados da Thomas Cook", afirma o presidente da CTP, Francisco Calheiros, em comunicado.

A CTP considera, por isso, que "a falência da operadora e companhia aérea inglesa Thomas Cook irá trazer danos à atividade turística em Portugal, sobretudo na região do Madeira".

Estamos preocupados e a acompanhar atentamente esta situação, procedendo também a um levantamento de informação", acrescenta Francisco Calheiros.

Agências de viagens preocupadas com dívidas a hotéis do Algarve

Dívidas a hotéis do Algarve são a maior preocupação da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) acerca da falência do grupo turístico britânico Thomas Cook, não antevendo problemas de repatriamento de turistas portugueses.

No Algarve já não havia operações em voos próprios da Thomas Cook, apenas em voos contratados e regulares. Não acredito que no Algarve se coloquem problemas de repatriamento", afirmou à Lusa o presidente da associação, Pedro Costa Ferreira, adiantando que, ao longo desta semana, se vai saber quantos turistas portugueses são afetados pela falência.

Ressalvando que a falência acabou de ser anunciada e os efeitos reais demoram a ser clarificados, e que é desconhecida ainda a dimensão dos efeitos na hotelaria nacional, o responsável admitiu que "haverá problemas de dívidas do grupo com os hotéis" e que esta falência "será nefasta para a região" do Algarve, uma vez que o operador é um dos maiores do mundo, detentor de agências de viagens e companhias de aviação, como a Condor, e só na Grã-Bretanha tem 560 balcões.

Mas não me parece que Portugal esteja no olho do furacão", afirmou Pedro Costa Ferreira, explicando que, comparando com outros destinos mundiais, não será em Portugal que os efeitos serão mais relevantes.

Quanto Algarve, o presidente da APAVT acredita que, neste momento, não será significativo o número de britânicos que entraram no país através da Thomas Cook.

Na Madeira, há voos da Condor, que pertence ao grupo, mas não temos conhecimento de que a empresa tenha deixado de operar", adiantou.

Quanto aos turistas afetados pela falência, o presidente da associação recomenda contacto com a proteção do consumidor inglesa e explica que as situações são muito diferentes consoante o tipo de contrato.

Em Portugal, os consumidores que compraram em agências de viagens estão protegidos por lei, mas quem tivesse comprado na companhia de aviação já teria de comprar o regresso e não estava protegido. Há uma imensidão de diferentes situações", advertiu.

/ JFP