O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos é contra a nacionalização do Novo Banco, porque que há “risco” para o Estado e avisa que, mais tarde ou mais cedo, os portugueses vão pagar a fatura. O banco vai ser vendido, ao que tudo indica ao fundo norte-americano Lone Star, e a promessa do Governo é que isso aconteça ainda esta semana. Mas o Estado deverá ficar com 25% do capital.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo/ Diário de Notícias e rádio TSF, a ser divulgada na íntegra no domingo, Fernando Teixeira dos Santos disse não ter dúvidas de que todas as perdas que resultem da operação "serão pagas pelos portugueses".

Vamos todos pagar isto. Este é um encargo que vai ser repercutido nos cidadãos”

Apesar de, enquanto ministro das Finanças ter decidido, em 2008, nacionalizar o BPN, Teixeira dos Santos considerou que essa opção é errada para o Novo Banco.

É certo que tudo o que forem perdas imputadas ao processo [de venda do Novo Banco] vão estar no Fundo de Resolução. E esse é um encargo que os bancos vão ter que suportar nos próximos 30 anos e que vão ser repercutidos nos cidadãos".

O atual presidente do BIC explicou que,“na altura em que o BPN foi nacionalizado, "não havia instrumentos jurídicos de intervenção que estavam disponíveis quando foi a resolução do BES”. “A nacionalização era o possível à luz do quadro legal existente”, frisou.

É “a favor da venda do Novo Banco”, mas alerta para os perigos, até porque, na prática, o “Estado está a dar uma garantia ainda que com outro nome”. “Quando a venda à Lone Star foi anunciada dizia-se que o fundo queria uma garantia do Estado para acautelar algumas contingências que pudessem vir a afetar o valor do Novo Banco".

A solução em que o Estado mantém 25% da participação no banco e é um parceiro mudo, sem qualquer interferência na gestão nem sequer com direito de voto, é uma forma de partilhar um risco da operação, ou seja, é uma forma de garantir que o Estado vai suportar, por essa via, aquilo que possam vir a ser vicissitudes no futuro do Novo Banco”.

Segundo Teixeira dos Santos, “não faz sentido o Estado não ter direito de voto”, tal como "não faz sentido" a nacionalização. Outro argumento é que os desafios que o banco tem pela frente são grandes. "Fala-se em fecho de balcões, redução de pessoal e não me parece que, se o banco ficar na posse do Estado, pudesse levar a cabo um plano de reestruturação e de ganho de eficiência que seria necessário".

 
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