O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, disse hoje que o Governo está a avaliar a situação das famílias de refugiados sírios de Miranda do Corvo para que os apoios possam vir a ser alargados.

Na segunda-feira, três famílias de refugiados sírios instaladas em Miranda do Corvo ficaram sem água e eletricidade nas casas que habitam por ordem da Fundação ADFP, proprietária das habitações.

A presidente do Conselho Português para os Refugiados, Teresa Tito Morais, defendeu a urgência da revisão do sistema de apoio às famílias de refugiados em Portugal, nomeadamente um prolongamento dos apoios e ajuda no arrendamento das casas.

Questionado sobre o assunto à saída de uma reunião da Concertação Social, em Lisboa, o ministro do Trabalho disse aos jornalistas que está a trabalhar para que os apoios às famílias em causa possam ser alargados.

“Essas famílias têm tido um apoio do Estado português e também da Segurança Social e estamos, precisamente, neste momento a avaliar a situação para verificar quais são as condições possíveis, para melhorar o apoio a essas famílias”, começou por responder o governante.

Vieira da Silva sublinhou que o apoio existiu “ao longo dos últimos tempos” e que são apoios “transitórios”, adiantando que o Governo está a procurar que “haja condições para poderem ser estendidos”.

O objetivo é que a integração dessas famílias possa ser aprofundada e melhorada, para que, “a prazo, possam vir a deixar de necessitar desse apoio”, explicou o governante.

“Estamos a trabalhar para que sejam resolvidos os problemas que foram identificados”, reforçou o ministro.

Também a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade disse hoje no parlamento que a situação dos refugiados sírios de Miranda do Corvo está "neste momento a ser objeto" de uma reunião.

"Tivemos conhecimento esta noite [segunda-feira] da situação de Miranda do Corvo", começou por dizer a secretária de Estado Rosa Monteiro, em resposta à questão colocada sobre a matéria pelo Bloco de Esquerda, no âmbito da audição da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019).

No caso em concreto, "está a ser neste momento objeto de uma reunião tripartida em Coimbra, precisamente entre a Segurança Social, o ACM [Alto Comissariado para as Migrações]" e a câmara municipal que, “desde o início da manhã, se disponibilizou para fazer parte da solução” e “a própria entidade envolvida", acrescentou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

"Nunca poderia aqui garantir que tudo correrá sempre bem"

A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, afirmou que, "por muito sucesso" que tenha o programa de acolhimento de refugiados, "nunca poderia garantir que tudo correrá sempre bem".

"Por muito sucesso que tenha o programa de acolhimento, nunca poderia aqui garantir que tudo correrá sempre bem", afirmou, apontando o caso que o Bloco de Esquerda trouxe para o debate.

No entanto, a ministra referiu que os números indicam uma taxa de 96% do acesso a língua portuguesa, 100% do acesso a cuidados de saúde e 48% no que respeita a integração no mercado de trabalho, no âmbito daquele programa, salientando que este último dado é que mais valoriza, porque "dá uma garantia de autonomização de meios próprios".

A Fundação ADFP já acolheu 88 refugiados, sendo que a sua maioria se autonomizou e outros saíram do país, mantendo ainda 20 pessoas em programa de acolhimento.

A própria instituição contratou um dos refugiados e integrou outro num programa de formação para pessoas com incapacidade, uma "vez que têm maior dificuldade em se autonomizar".