O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, rejeitou hoje as críticas da prática de preços “pornográficos” nos voos para a ilha da Madeira. Foi essa a acusação de que foi alvo pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque.

Ao falar na Comissão de Inquérito no parlamento regional sobre a política de gestão da companhia em relação à Madeira, Antonoaldo Neves considerou que a utilização do termo "pornográfico" para classificar os preços praticados pela companhia constitui um desrespeito para com os 10.800 trabalhadores da empresa, já que estes "não fazem pornografia".

Antonoaldo Neves reafirmou que os preços praticados pela companhia são "módicos" e que a empresa "não é pública"

"A palavra módica para tarifa está relacionada com o nosso dever como companhia aérea de estimular” a procura, disse, sublinhando que só trabalha com "factos e dados" e garantindo também que a tarifa média da TAP hoje ronda os 100 euros.

O PSD, através do deputado Carlos Rodrigues, realçou, no entanto, que a obrigação do parlamento regional é defender os interesses dos 250 mil habitantes do arquipélago e exibiu dados que apontam para um preço médio de 359 euros por viagem no mês de outubro.

O presidente do Governo da Madeira afirmou hoje ser-lhe “indiferente” a opinião do presidente da TAP sobre as suas críticas à empresa e considerou as explicações de Antonoaldo Neves no parlamento madeirense “mais do mesmo”.

No entender do chefe do executivo madeirense, “a responsabilidade primeira” pela situação “não é do senhor Antonoaldo”.

Ele [presidente da TAP] pode gostar ou não gostar [da crítica dos preços pornográficos], mas isso para mim é indiferente, porque a minha obrigação é denunciar as iniquidades, as injustiças e os constrangimentos que a TAP tem causado à Madeira".

O governante insular defendeu que o empresário tem de dar “explicações relativamente ao cancelamento dos voos desde janeiro” e “a forma como os madeirenses e porto-santenses foram tratados nesta linha”.

Albuquerque quer também explicações sobre os “preços elevados”.

Ninguém consegue responder a esta pergunta, que é de ‘la palisse’: se a TAP não é uma empresa privada, tem 50% de capital público, porque é que o Estado está a pôr lá capital, qual a razão?”.

O presidente do Governo Regional apontou que a única razão para esta situação é porque a companhia deve “servir as regiões autónomas, as comunidades de emigrantes e a diáspora portuguesa”.

No entender do líder madeirense, “a liberalização não tem nada a ver com política de preços, que é escandalosa, da TAP”. “Portanto, isso é tudo conversa, porque na verdade o que a TAP tem de fazer é não se aproveitar da circunstância para se financiar através das viagens para a Madeira, prejudicando a região e o turismo da região”, vincou.

Durante a sua audição, Antonoaldo Neves foi questionado mais especificamente pelos deputados madeirenses sobre aspetos que acordou com a comissão que devem ficar no foro confidencial e, nesse momento, pediu para os jornalistas não estarem presentes na sala do plenário.