O presidente do PS, Carlos César, considerou este sábado "imoral" que os partidos tentem "retirar vantagens políticas" do acidente de viação que envolveu o carro do ministro da Administração Interna, defendendo que não é um "evento politizável".

Uma coisa é a avaliação política que os partidos, as personalidades, os analistas, os dirigentes políticos podem fazer do desempenho de um ou de outro membro do Governo. Naturalmente que em todos os governos há aqueles que são mais criticados, menos criticados ou por estarem mais presentes ou por estarem ausentes, ou por gerirem processos mais complexos ou até por cometerem erros", começou por dizer o dirigente, que ressalvou estar a fazer uma "apreciação mais pessoal do que como presidente do PS".

Carlos César falava na sede do PS, em Lisboa, no final de uma reunião da Comissão Nacional do partido, e foi questionado sobre a discussão política em torno do atropelamento mortal de um trabalhador na A6, há duas semanas, e que envolveu o carro onde seguia o ministro Eduardo Cabrita.

"Agora, o que me parece inacreditável, custa mesmo a ouvir, é fazer críticas a um ministro com base num incidente do qual resultou uma morte e no qual evidentemente o ministro não pode estar envolvido enquanto titular de um cargo político. E portanto não pode tratar-se de um evento politizável e utilizado para tentar daí retirar vantagens políticas", defendeu.

É mesmo imoral fazê-lo", criticou ainda Carlos César.

Em 18 de junho, o carro em que seguia o ministro da Administração Interna atropelou mortalmente na A6, na zona de Évora, um trabalhador que fazia a manutenção da via.

Na sexta-feira, o ministro da Administração Interna quebrou o silêncio sobre este assunto e disse que o acidente mortal que envolveu o carro em que seguia na A6 não deve ser usado para “confrontação política”, remetendo a saída do Governo para o primeiro-ministro.

Questionado se tem condições para continuar no cargo, o ministro da Administração Interna afirmou que esse assunto é da “estrita responsabilidade” do primeiro-ministro.

O ministro disse que falou naquele dia sobre o acidente porque “foi a primeira cerimónia de dimensão nacional” em que participou desde 18 de junho, justificando o silêncio porque foi o Ministério da Administração Interna “a dar a devida nota do infeliz acidente”, por ter sido aberto um inquérito pelo Ministério Público, que está em segredo de justiça, e por ser uma matéria “objeto de averiguação” de apuramento das “circunstâncias e responsabilidade”.

O governante considerou que, no âmbito do apuramento dos factos, “não existe nenhum cidadão, nem nenhuma entidade, que esteja acima daquilo que é o quadro legal aplicável”, acrescentando que se trata de “uma circunstância terrível” e que não deseja a ninguém passar “por algo similar”.

O CDS-PP, PSD, PAN e Chega têm exigido esclarecimento ao ministro sobre o acidente em que esteve envolvido o carro em que seguia.

/ AG