Pior cenário para a indústria automóvel, só mesmo o do ano passado. «A crise tocou no fundo», admitiu o presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, em declarações ao jornal espanhol «Cinco Dias». Para este ano, as expectativas não podiam ser outras: já que o sector viu o fundo do poço, a solução agora é escalar montanha, com precaução.



A maioria das empresas perderam nas vendas e mesmo as que escaparam aos alertas vermelhos, registaram menores lucros. As medidas de contenção de custos deverão ser a prioridade da generalidade do sector para este ano.



Toyota com prejuízos pela primeira vez



A Toyota encabeça as perdas, por ser a primeira vez, desde que existe, que registou prejuízos. 2009 foi um ano negro também para a imagem da marca que registou vários defeitos em alguns modelos. A fabricante quer dar a volta por cima este ano e os primeiros resultados trimestrais, a apresentar no final deste mês, serão mais positivos: ganhos de 1.230 milhões de euros parecem animar a Toyota, pese embora a queda de 14,7% que continua a ensombrar o negócio. As estimativas apontam para lucros de 631 milhões de euros, este ano.



As construtoras não esperam «maravilhas» de 2010, mas apenas ligeiras melhoras. A Volkswagen admite que vai ser um ano «difícil», mas o pior já passou. Os 80% de perdas não debelaram a fabricante que, ainda assim, melhorou a liquidez.



Ford e Honda são as únicas a animar o sector



A Ford foi a surpresa do sector. Ganhou quase 2 mil milhões de euros, depois de ter perdido mais de 10.700 milhões em 2008. Apesar de alguns recuos, a companhia conseguiu pôr em prática o plano de custos e não suspendeu os pagamentos. As previsões para 2010 seguem esta linha de rentabilidade.



Também a Honda obteve um desempenho positivo, minimizando as perdas de 2008. Na verdade, chegou a duplicar por sete os benefícios no terceiro trimestre do ano passado e as estimativas para 2010 estão em alta.



Sinal vermelho para a maioria das construtoras



A Fiat passou dos benefícios às perdas, no ano passado. Os gastos extraordinários e a queda nas vendas foram os responsáveis pelos maus resultados. Para este ano, a fabricante italiana prevê melhoras: resultados positivos entre os 200 e os 300 milhões de euros.



Ao vermelho chegaram também a Nissan e a Renault. A primeira, afectada pela quebra nas vendas no Japão e, mais ainda, nos EUA, apesar de a redução de custos e a ligeira recuperação dos mercados terem revisto em alta as previsões de perdas de 328 milhões de euros para 286 milhões de euros de lucros. A Renault foi empurrada para os meus resultados pelo desempenho das suas subsidiárias Nissan, Avtovaz e Volvo AB. As previsões para este ano vão no sentido de manter o fluxo de caixa, já que o mercado pode cair 10%, segundo o presidente da Renault e da Nissan, Carlos Ghosn.



A Peugeote a Citroën fecharam o último ano no vermelho, pela segunda vez. As expectativas para 2010 são ligeiras: aumentar a quota de mercado e continuar a reduzir custos para ganhar liquidez, num ano que se prevê difícil, pelas declarações do presidente Philippe Varin.



Nem o luxo escapou à crise



Os automóveis de luxo também registaram maiores perdas no ano passado: menos 36% de lucros é o número que ensombra a BMW. «Cautelosamente optimista» é como se sente o presidente, Norbert Reuthoferest, quanto ao desempenho deste ano, prevendo melhorar a rentabilidade e as vendas até 1,3 milhões de unidades.



A Mercedez Benz e a Smart, do grupo Daimler, registaram igualmente perdas. Apesar disso, o grupo espera aumentar as vendas durante este ano e obter um resultado positivo de 2.300 milhões de euros.

A ligeira recuperação económica e o sucesso do Salão de Genebra abrem portas a maiores ganhos, ou pelo menos, a uma maior estabilização do sector. Ainda que com um optimismo moderado.
Redação / VC