A Sociedade Portuguesa de Pediatria defende a reabertura urgente das escolas especialmente o ensino pré-escolar e nos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, chamando a atenção para as consequências do fecho no desenvolvimento das crianças.

Numa posição conjunta, a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), a direção do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos e a Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, consideram urgente que os decisores equacionem a reabertura das escolas e a integração das crianças em atividades adequadas às suas reais necessidades.

A aproximação ao normal poderá ter de ser faseada, com avaliação contínua e adequada, mas tem de ser rápida e programada de forma consistente”, referem.

Segundo dados do jornal Público, o total de casos de crianças e jovens com ansiedade disparou nos hospitais portugueses e estima-se que o aumento se deva aos efeitos da pandemia de covid-19.

No Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, o total de crianças e jovens na urgência com problemas de ansiedade e humor cresceu 50% no início do ano face aos dois primeiros meses de 2020.

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra registou uma diminuição dos casos de ansiedade, mas maior gravidade nas tentativas de suicídio e e perturbações alimentares. 

Já no Hospital de São João, os diagnósticos de perturbação de ansiedade na urgência pediátrica chegaram aos 76% um aumento face aos 70% registados antes da pandemia.

Urgência é maior nos mais novos

Para aquelas entidades, a urgência é maior no ensino pré-escolar e nos primeiro e segundo ciclos do ensino básico, seja pelo importante papel que o contacto com os educadores e com outras crianças tem no desenvolvimento psicomotor de competências básicas, seja pelo maior impacto no funcionamento em sociedade e pelo menor risco de contagiosidade comunitária.

A abertura das escolas para as restantes fases de ensino poderá ter de seguir uma progressão gradual, por ciclos de ensino, deixando os mais diferenciados, em que o os métodos de ensino não presencial colocam menos dificuldades, para mais tarde. Mas não esqueçamos a necessidade de socialização dos adolescentes, cuja saúde mental está em risco”, sublinham.

Aquelas entidades consideram que os planos definidos para o início do presente ano letivo mostraram-se eficazes, com boa adesão de profissionais escolares e de alunos, não se tendo verificado surtos relevantes com origem nos estabelecimentos de ensino.

Por isso, defendem que o reforço da vigilância epidemiológica, pelos serviços de saúde, permitirá minimizar o risco associado à abertura das escolas, assegurando que uma atuação direcionada permitirá o controlo da disseminação da doença, sem que se torne necessário regressar a medidas mais agressivas.

Na posição conjunta, lembram que “desde o início verificou-se que as crianças eram pouco afetadas, apresentando em regra doença ligeira, com casos muito esporádicos de doença grave, e cedo se percebeu que, em contraste com outras doenças virais mais conhecidas, contribuíam pouco para a disseminação da doença”.

Para estas entidades, o encerramento das escolas e a obrigatoriedade de permanência em casa das crianças de todos os escalões etários contribui de forma direta para os efeitos que a doença covid-19 tem sobre estas ao nível do desenvolvimento, da aprendizagem, dos comportamentos, das rotinas e no relacionamento familiar e social.

As crianças de risco social elevado, que têm na escola momentos de normalidade, de segurança e alimentação adequada, estão ainda mais propensas ao risco causado pelo distanciamento. Recordamos que, muitas vezes, é da escola que parte o primeiro alerta que dá início a investigação e medidas de proteção”, referem.

No entendimento da SPP, do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos e da Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, todas as alterações e as desigualdades sociais e riscos associados, terão efeito direto na esperança de vida destas crianças e na capacidade de evolução da própria sociedade nos anos futuros.

Redação / JGR/RL