O Banif Investimento passou agora por uma mudança de imagem. Foi uma forma de se afastar da imagem da casa-mãe? Qual foi o objectivo dessa mudança?

É uma mudança de imagem, que se pretende que seja transversal ao grupo de banca de investimento, e portanto que seja uma imagem homogénea e consistente, quer a banca de investimento esteja em Portugal, Estados Unidos e Brasil, e posteriormente em Espanha ou em Londres. Entende-se que para dar ideia dessa transnacionalidade e dimensão, que abarca mais do que o mercado português, devia ter uma imagem universal.

Mas no Brasil, o banco de investimento está inserido na banca comercial¿

Há um processo de transformação no Brasil. Quem faz banca de investimento no Brasil é uma divisão de banca de investimento do Banif Primus, mas neste momento a instituição está a dividir-se em duas e vai ficar o banco comercial como Banif Brasil e o banco de investimento vai ser chamado Banif Primus Investimento.

Existe no Brasil uma corretora e uma gestora de activos e a corretora vai passar a banco, e formará uma nova corretora, ou seja, vai ficar um banco de investimento com uma corretora e com uma gestora de activos.

Vão avançar para o mercado espanhol e britânico? Quando é que pretendem ter essa presença?

Sim. Nós temos que fechar o círculo, ou seja, ter uma presença em Portugal, Brasil e Estados Unidos, e depois Espanha e Londres. Ainda não há nada definido. Uma coisa é sabermos para onde queremos ir, outra é faze-lo no timing adequado, com os parceiros certos e quando surgir a oportunidade de o fazer.

Qual é a dimensão de cada um desses mercados?

Em Espanha, poderíamos ter uma operação semelhante a Portugal, mas com uma dimensão mais pequena, ou mesmo idêntica se deslocalizarmos alguns serviços para Madrid. Poderá haver interesse em deslocalizar algumas actividades para Madrid, que é uma praça financeira mais importante que Lisboa. Desta forma, poderíamos ter uma presença ibérica com um centro bicéfalo, dividido entre Lisboa e Madrid.

Em Londres, é uma presença pequena, como a de Nova Iorque, essencialmente dedicada à equity. O mercado de fixed income pode ser coberto de Lisboa e Madrid.

O Brasil tem sido uma aposta do Banif Investimento. Qual o peso que o mercado brasileiro já tem nos resultados do banco?

Em termos de receitas, temos de cerca de metade do nosso trading e vendas nestes países e a outra metade em risco europeu. Em termos de resultados, não tem um peso tão elevado, uma vez que é capaz de representar metade em termos de mercados de capitais, mas depois há outras áreas, como corporate finance e gestão de activos, que diluem essa importância.

Mas não existe interesse em reforçar a gestão de activos?

Já temos gestão de activos no Brasil. Começámos há três anos com 30 milhões de reais, neste momento já temos 250 milhões de reais e achamos que podemos atingir 300 milhões no final deste ano.

Na gestão de activos é muito mais fácil angariar activos quando se tem uma rede de retalho, o que acontece em Portugal, mas não acontece no Brasil, onde estamos mais dedicados ao segmento private e institucional.

E existe a possibilidade de parcerias para distribuição dos fundos?

Recentemente assinámos um acordo de parceria estratégica para distribuição dos nossos fundos, com uma empresa distribuída e aconselhadora financeira de particulares, chamada Boutique de Investimentos, que tem seis ou sete dessas botiques e se encontra num processo de expansão.

E o mercado de corporate finance? É uma área de negócio onde pretendem apostar?

Absolutamente. A internacionalização da economia brasileira só pode ser maior e nós esperamos poder contribuir para tal, nomeadamente enquanto trabalhando o eixo Portugal-Brasil.