Miguel Sousa Tavares entrevistou esta segunda-feira Catarina Martins, a líder do Bloco de Esquerda, que sublinhou que, apesar de prometer chumbar o Orçamento do Estado para 2021 na generalidade, garante que o BE "não quer nenhuma crise política".

O próprio primeiro-ministro já o disse, não é o Orçamento de Estado que vai provocar uma crise política", frisou Catarina Martins. 

Estamos a atravessar um período muito difícil, mas o pior que podemos fazer é colocar a cabeça na areia e não nos perguntarmos se as soluções servem", acrescentou ainda. 

Para líder do Bloco, há duas questões fundamentais: a primeira, "se o SNS tem capacidade para responder não só à covid mas a todo o acesso à saúde que não é covid". Uma segunda questão, para Catarina Martins, é "como vamos apoiar quem perdeu tudo com a crise".

Frisando que o Orçamento do Estado para o ano que vem prevê apenas 450 milhões para todo o apoio social extraordinário, Catarina Martins sublinhou que "o que nos está a ser dito é que no próximo ano vai haver menos apoio social do que este ano" e que os hospitais também vão ter menos verbas.

O Orçamento de 2021 tem menos para o SNS do que tinha o cômputo de 2020 com o orçamento suplementar", frisou. 

Catarina Martins disse ainda que "não tem tudo a ver com dinheiro, tem sobretudo a ver com as regras. Como garantimos que o dinheiro é gasto da melhor forma para defender as pessoas?", questionou. 

Não é verdade que tenhamos divergência de números", disse, questionada por Miguel Sousa Tavares sobre a diferença dos números que o Bloco apresenta para a Saúde e aqueles que estão no Orçamento do Estado do Governo. 

A líder do Bloco de Esquerda assinalou ainda que, neste momento, só 30% dos estudantes de medicina ficam no SNS. "Não estamos a conseguir compensar os médicos que saem e temos um problema grave de concursos que ficam cronicamente vazios", assinalou

Catarina Martins diz que o Bloco propõe, para a resolução destes problemas, a exclusividade no SNS e o aumento das vagas de especialidade, para que os médicos não fiquem como indiferenciados e possam passar a organizar serviços. 

E sublinhou ainda que "o Bloco nao se pode comprometer com um Orçamento que faz com que o SNS esteja mais frágil". 

Como se compreende que o PS não aceite medidas tão pequenas e fundamentais como acabar com o despedimento barato?", questionou também Catarina Martins. 

A concluir a entrevista, Miguel Sousa Tavares perguntou a Catarina Martins se está preocupada com a situação da TAP, tendo a líder do Bloco respondido afirmativamente. "Estou muito preocupada", referiu. "É preciso um plano para a TAP, é preciso ter visão para os transportes do país", resumiu. 

Bárbara Cruz