[artigo publicado às 23h55 de 27 de maio]

Pedro Gil é, provavelmente, dos desportistas que reúne menos consenso, mas é também dos melhores e mais titulados jogadores do mundo de hóquei em patins.

Aos 39 anos, somou mais um título - o de campeão europeu pelo Sporting - e não quer parar por aqui.

À conversa com o Maisfutebol, o espanhol falou do lado mais pessoal, da carreira e não fugiu ao estigma que o acompanha há muitos anos: o de ser um jogador agressivo e violento.

Sem esquecer a passagem pelo FC Porto, Pedro Gil falou ainda, e sem qualquer problema, do lugar que o emblema azul e branco lhe ocupa no coração, deixando claro que só tem um «clube do coração».

De resto, é o profissional de garra que bem conhecemos e que se vê a terminar a carreira de leão ao peito.

Oito épocas no FC Porto, três no Sporting. O coração continua a ser azul e branco? Já foi visto a assistir aos jogos do FC Porto…

Neste momento sou mais sportinguista e, já o dizia nos tempos do FC Porto, só tenho um «clube do coração»: é o Real Madrid. E tenho a sorte, ou o azar, de que o Real Madrid não tenha hóquei em patins. Se tivesse se calhar estava lá (risos). O Real Madrid é o único clube do meu coração, mas os outros tenho-os no coração pelo que lá passei.

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É evidente que o FC Porto tem um lugar muito importante no meu coração, estive lá oito anos. Foi o clube que representei durante mais tempo, aquele no qual ganhei mais títulos, onde estava quando comecei com a minha mulher e onde cresceram os meus filhos, e isso faz parte da minha história e nunca vou, nem quero, apagar. Só eu sei o que sinto. E tenho lá muito amigos, claro. Ainda outro dia, antes da final da Liga Europeia, encontrei o mecânico lá dentro e dei-lhe um beijinho. Quem não sente, não percebe.

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Quanto ao Sporting é o clube onde estou atualmente, que me dá de comer, está no meu coração, defendo-o até à morte e quero que ganhe em todas as competições. Venho ao pavilhão e quando não venho, estou em casa a ver e quero que ganhe. O Sporting foi o clube que há três anos me abriu a porta num momento em que, se calhar, não esperava jogar num clube desta dimensão. Identifico-me com o clube, gosto da maneira de pensar e do ecletismo. Gosto de ir ao multidesportivo: ir lá acima e ver o taekwondo, o kick-boxing, o boxe, a ginástica, de ver pessoas de 70 anos e crianças a dançar... Há um ambiente como nunca vi em lado nenhum, e adoro isso.

Já passou por oito clubes - Noia, Tenerife, Infante Sagres, FC Porto, Reus, Valdagno, Forte dei Marmi e Sporting -, ainda gostava de jogar em mais algum?

Não, estou mais do que satisfeito e penso que vou terminar a carreira no Sporting. Além de ser o clube que me abriu as portas, está a dar-me condições para poder continuar mais dois ou três anos. Terminar aqui seria bonito. Gostava de terminar noutros clubes pelos quais passei, e pelos quais tenho carinho, mas cheguei aqui há três e acho que vai ser no Sporting que vou pendurar os patins. O clube merece, e eu também mereço terminar num clube desta dimensão.

Nunca jogou foi naquele que é considerado o melhor clube do mundo, o Barcelona, também por ser rival do «clube do coração»...

Sim, mas tive oportunidade quando era mais novo e mais tarde tive outro convite, mas nunca se concretizou por várias razões. Primeiro achei que não era importante ir e depois, mais tarde, que não era o momento até porque tenho uma tatuagem do Real Madrid (risos). Sei que o Barcelona é o melhor do mundo no hóquei em patins, pelo orçamento e pelas condições, mas não quis. O meu filho está lá agora. 

 

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