Os casos polémicos na justiça desportiva têm-se sucedido nas últimas décadas, com maior incidência nos anos 80 e 90. O maior de todos, porém, aconteceu já no século XXI. Em Itália, onde o Calciocaos determinou a descida de divisão da Juventus e a penalização de Milan, Fiorentina e Lázio com a retirada de pontos na época seguinte. A Juventus perdeu também o título nacional, que foi entregue ao Inter.

Em causa estava um escândalo de corrupção desportiva que envolveu resultados combinados, compra de árbitros e aliciamento de jogadores adversários. Para além dos clubes, houve ainda vários dirigentes e árbitros envolvidos neste caso, sendo que todos os acusados foram irradiados do futebol. Todo o escândalo do Calciocaos foi investigado e resolvido em menos de três meses pela justiça italiana.

Do caso Totonero...

A Itália tem sido um campo favorável às suspeitas e processos de corrupção desportiva. Em 1982, por exemplo, rebentou o Totonero. Tratou-se de um jogo de apostas clandestino semelhante ao totobola. Para além disso os organizadores subornavam atletas para falsearem os resultados. Por causa disso o Milan desceu de divisão e a estrela Paolo Rossi ficou dois anos suspenso.

A década de 90 trouxe novos casos. Em 1992 Giuseppe Ciarrapico, presidente e proprietário da Roma, foi condenado a cinco anos de prisão devido ao fomento de uma rede criminal. A formação da capital italiana entrou então numa fase de declínio. Pouco depois o presidente do Torino, Gianmauro Borsano, esteve implicado no caso Pés limpos, de suposto pagamento e contratação de jogadores com dinheiro sujo.

... ao caso Tapie...

Ainda na mesma década, em 1993, o Mundo conheceu um dos maiores escândalos desportivos, o caso do Marselha. A formação francesa perdeu a Taça dos Campeões Europeus, a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental devido ao suborno de jogadores do Vallenciennes em jogo da penúltima jornada da liga francesa. O Marselha desceu também de divisão e o presidente Bernard Tapie foi condenado a pena de prisão.

De regresso aos anos 80, a Bélgica viveu também um caso de corrupção que envolveu o Standard Liège. Em 1982 o clube estava apurado para a final da Taça das Taças, que viria a perder com o Barcelona. Foi então revelado um plano levado a cabo por treinadores e jogadores para subornar outros jogadores de equipas belgas a facilitarem de forma ao clube poder apresentar-se na máxima força na final com o Barça.

... até outros casos quase sem consequências

Espanha também já conheceu casos polémicos, mas a diferença é que aqui ao lado quase nunca houve consequências. Em 2003, por exemplo, uma televisão mostrou uma reportagem com uma câmara escondida em que antigos dirigentes do Sporting Gijón admitiam a compra de árbitros. Abriu-se uma investigação, mas a única penalização foi a demissão de um dos dirigentes do júri do Prémio Príncipe das Astúrias.

Já antes disso, em Agosto de 1995, o Celta de Vigo e o Sevilha estiveram implicados num escândalo semelhante. A liga espanhola obrigava os clubes transformados em SAD a apresentar um documento comprovativo de dívidas, o que Celta e Sevilha não fizeram. Por isso foram despromovidos à Segunda Divisão B. Pouco depois, a Assembleia-Geral da Liga aprovava o aumento do campeonato para 22 clubes e ambos ficam na primeira.