A carrinha com matrícula portuguesa detectada quinta-feira em Ayamonte com 115 quilos de material explosivo, alegadamente da ETA, terá sido alugada numa rent-a-car portuguesa em nome de U. Arrieta, disse à Lusa fonte próxima das investigações

Já esta sexta-feira a locadora Rentilusa, escreve a Lusa, empresa do Grupo Banco Português de Negócios (BPN), esclareceu, em comunicado divulgado, que «alugou o referido veículo, por dois anos, a uma empresa de rent-a-car denominada "Ride On, Automóveis de Aluguer e Animação turística, Lda"».

«A partir da entrega dos veículos aos seus clientes, a Rentilusa não tem qualquer controlo sobre a utilização que é feita a esses veículos, que é da única responsabilidade dos seus utilizadores, no caso presente a "Ride On"».

No breve comunicado, a Rentilusa referiu que «não tem qualquer responsabilidade no aluguer do veículo apreendido» quinta-feira e acrescenta que «aluga viaturas a outras empresas, nomeadamente a rent-a-cars».

A Lusa contactou a «Ride On» para esclarecimentos sobre este caso, tendo obtido inicialmente a resposta, através de uma funcionária, de que o carro não pertencia à rent-a-car e depois de que a empresa «não faz comentários sobre o assunto».

A matrícula da carrinha detectada em Ayamonte (Espanha) está registada em nome da locadora Rentilusa, revelou quinta-feira à Lusa fonte próxima da investigação.

A mesma fonte adiantou que a matrícula 51-BX-80 é verdadeira e não falsa, como inicialmente foi noticiado e está registada em nome da empresa Rentilusa - Locação e Comércio de Equipamentos e Serviços, gestora da frota do Grupo BPN e do BPN Auto.

Entretanto, a Polícia Judiciária (PJ) disse à Lusa que está a colaborar com as autoridades espanholas na investigação relacionada com o veículo, carregado com 115 quilos de material explosivo: 100 de Nitrato de Amónio e 15 pó de alumínio.

O veículo está vinculado à ETA e os seus ocupantes fugiram depois de terem visto um controlo luso-espanhol da GNR e da Guardia Civil, anunciou quinta-feira o director-geral da Polícia Nacional e da Guardia Civil Espanhola.

Em declarações aos jornalistas, Joan Mesquida disse que o dispositivo de segurança foi montado depois do aviso de um cidadão, que viu várias pessoas a agirem de forma suspeita em torno do veículo, que tinha matrícula portuguesa.

Mesquida não descartou que os ocupantes formavam parte de um comando itinerante ou que fossem entregar os explosivos a outros elementos terroristas, insistindo que o veículo - que possivelmente seguia um outro carro, de «observação» - não estava armadilhado, apenas transportava explosivos ainda não preparados para um atentado.

Segundo precisou, o veículo - que estava estacionado no quilómetro 30 da A-45, em direcção a Portugal, muito próximo de Ayamonte - tinha uma porta aberta e sacos com o material explosivo no exterior.

Mesquida frisou que com o material descoberto se poderia ter fabricado uma «bomba grande» ou várias pequenas.

Esta descoberta em Ayamonte, Andaluzia, próximo da fronteira portuguesa com Vila Real de Santo António (Algarve), ocorre duas semanas depois de a ETA anunciar o fim do cessar fogo declarado em Março de 2006 e que já tinha sido quebrado a 30 de Dezembro de 2006 com o atentado no Aeroporto de Madrid (Barajas), que causou dois mortos.