ACTUALIZADO ÀS 11H30

O ex-Presidente da República, Mário Soares, afirmou, esta quinta-feira, que os casamentos entre homossexuais são uma questão de consciência, ao mesmo tempo que advertiu que não são esses os problemas fundamentais do país.

«Os casamentos entre homossexuais são questões de consciência complicadas, não são esses os problemas fundamentais... mas há certos radicais que querem ir adiante para mostrarem que são de esquerda», disse Mário Soares.

«Se estivesse na minha mão, agiria com mais prudência para acabar com as desigualdades sociais, dar mais prestígio ao trabalho, aos trabalhadores e aos sindicatos», sustentou.

Mário Soares respondia a uma questão colocada por um elemento da assistência após ter proferido uma palestra sobre a separação entre a Igreja e Estado desde a I República até à actualidade.

O jantar/debate realizou-se na Foz do Arelho, Caldas da Rainha nas instalações do INATEL, presidido por Vítor Ramalho, e onde participaram mais de uma centena de pessoas entre os quais os secretários de Estado José Miguel Medeiros e Conde Rodrigues e vários deputados socialistas.

Ainda respondendo a questões da audiência e relativamente às declarações do cardeal Patriarca sobre casamentos de católicas com muçulmanos Soares disse apenas: «Casamentos são uma questão individual e as senhoras casam com quem querem. Estar a dar conselhos, comigo não!»

PS e JS discordam

O porta voz do PS, Vitalino Canas, considera que mesmo não sendo uma questão prioritária, os socialistas não podiam adiar por mais tempo a discussão sobre o casamento homossexual.

«O problema tem que ser resolvido e portanto está inscrito como uma das nossas questões a resolver na próxima legislatura, mas isso não exclui que a atenção principal seja atribuída às questões da igualdade dos cidadãos mais pobres ou desfavorecidos, da economia, do desenvolvimento ou dos nossos problemas estruturais», adiantou o porta-voz socialista à TSF.

Entretanto, o líder da Juventude Socialista (JS), Duarte Cordeiro, adiantou que este é um tema fundamental de toda a esquerda e não apenas de radicais.

«Em relação a esta matéria na minha opinião e dos jovens socialistas, está enganado é uma questão fundamental da esquerda e não acho que seja radicalismo, porque estamos a falar de direitos fundamentais, de aspectos que nada têm a ver com aqueles que o doutor Soares referiu, porque a economia não pára, podemos fazer tudo o que o doutor Soares disse e fazer isto na mesma», frisou
Redação / CP