O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse que o Governo de Sócrates foi vítima dos «abutres» das empresas de rating, que especulam com a situação portuguesa, mas não dão notação B aos Estados Unidos, que têm um défice «assustador».

«Do que eu tenho analisado ao longo dos meses, é óbvio que o actual Governo de José Sócrates fez esforços enormes. São as agências de rating que manipulam, deliberadamente ou por pura ignorância, os mercados e levam a países que se têm de financiar nos mercados internacionais, como Portugal, a pagar juros excessivamente elevados, o que é totalmente inaceitável», sustentou.

«São as tais que não conseguiram ou não quiseram alertar os investidores para as falcatruas que se fizeram em Wall Street e em várias agências de investimento e bancos americanos, e para investimentos imobiliários especulativos, nos EUA, em Inglaterra, no Dubai. Por isso não têm credibilidade», disse, numa entrevista conjunta à Lusa e RTP em Díli.

Ramos-Horta considera «estranho» que as agências de rating «não falem na economia italiana, muito mais endividada do que a portuguesa, ou mesmo dos EUA», com um défice «assustador».