*Enviado-especial ao Euro 2016

Pepe recusa o rótulo de líder da Seleção e aponta imediatamente para Fernando Santos. Foi o que aconteceu este sábado, na conferência de imprensa de antevisão à final do Euro 2016, realizado no Stade de France.

«O líder está aqui ao lado, temos de tentar fazer o que nos pede. Queremos dar o melhor para ajudar. Temos um líder no papel do nosso mister, que mantém uma atitude positiva, sempre inteligente. Reconhece a qualidade de cada um e permite-nos explorar as nossas capacidades», elogiou.

O central diz que «espera ter a sorte de jogar a final» e sublinha que «marcar seria extraordinário» num jogo muito importante «porque é o próximo». Pepe quer escrever história, pegando numa ideia lançada pelo próprio Fernando Santos antes do jogo com Gales, nas meias-finais. «Estou representando o meu povo e o meu país, e queremos entrar para a história. Temos a esperança de fazer bem as coisas, de fazer o que mister nos pede. Somos 11 milhões, mais 11 jogadores de início e os três que entrarem com a vontade de fazer história no futebol e no futebol português», atirou.

Portugal fazer o papel da Grécia em 2004 é que não passa pela cabeça dos jogadores, a não ser no que diz respeito ao resultado: «Era bom, era fantástico que se passasse isso. No entanto, já passou bastante tempo. É um jogo completamente diferente, em que queremos estar bem e fazer tudo que o mister nos pede.»

Pepe também quer dar alegrias a quem tanto tem apoiado a equipa. «Nós representamos nações. Sentimos o carinho dos emigrantes que estão aqui, em Marcoussis e nos treinos abertos, depois dos jogos, às três, quatro e cinco da manhã, porque ficam à espera para nos dar mais um incentivo, e vencer amanhã é mais uma oportunidade para retribuir o carinho. Com muita humildade, queremos honrar o nosso país e todas essas pessoas que estão fora de Portugal.»

O defesa não sente que esta é a sua última oportunidade para conquistar um grande título. «Estou há 10 anos no Real, cheguei à Seleção no final de 2007 e já estive em três euros e dois mundiais. Não gosto de perder, é isso que me faz estar no mais alto nível. Quero disputar mais algumas finais e ser reconhecido no mundo inteiro.»

A nomeação do árbitro Mark Clattenburg para a final também não tira o sono ao futebolista. «Amanhã são três equipas privilegiadas por estar na final de uma competição. O árbitro foi escolhido para fazer o melhor, está num grupo dos dois ou três melhores do mundo. Não é a toa que apitou a final da Liga dos Campeões e terá outra final amanhã. É o reconhecimento do seu trabalho, espero que tenha uma noite feliz e possa fazer o seu trabalho tranquilamente», concluiu.

Luís Mateus