Competência é a palavra que melhor descreve a seleção portuguesa de sub-21, que esta terça-feira somou mais uma vitória na fase de qualificação para o Europeu 2017. Mesmo a jogar em casa, a Grécia não foi capaz de resistir à solidez da exibição da formação lusa, e terminou o encontro com uma derrota por 4-0.
 
Esta seleção não sabe perder? É preciso recuar até outubro de 2011 para encontrar uma derrota da seleção sub-21 de Portugal no tempo regulamentar em jogos oficiais. Pelo caminho, o balde de água fria da derrota em grandes penalidades frente à Suécia, na final do Europeu, em junho. Mas esse momento parece já esquecido, já que, a formação de Rui Jorge continua a somar vitória atrás de vitória. Esta foi a terceira, em três jogos, dando a Portugal a liderança do Grupo 4.
 
A goleada por 6-1 frente à Albânia foi o momento atípico desta qualificação. O jogo com a Hungria, na passada sexta-feira, já exigiu da equipa uma concentração maior. E a Grécia até começou o jogo a mostrar que não seria um adversário fácil.
 
Rui Jorge voltou a mudar o onze, desta vez renovando toda a frente de ataque. Saíram Iuri Medeiros, Gonçalo Paciência e Bruma, para as entradas de Gelson Martins, Gonçalo Guedes e Ricardo Horta. Estes dois últimos já tinha entrado no jogo frente à Hungria e assumiram agora lugar no onze. Uma aposta que voltou a ser acertada.
 
No primeiro jogo sob a batuta de Antonis Nikopolidis, a Grécia entrou melhor no jogo. Bem a fechar os caminhos aos jogadores portugueses - que voltaram a ter um onze diferente - e mais pro-átivos a chegar junto da baliza de Portugal. Ainda assim, o primeiro sinal de perigo só chegou aos 23 minutos, fruto de um erro luso. Ié a perdeu a bola na linha defensiva, Tsilianidis e Mavrias a aproveitaram para furar, e este último tentou o remate, mas Ié apareceu no momento certo para resolver.
 
A partir daí, Portugal cresceu no jogo. João Cancelo, que voltou a estar em envidência nas transições ofensivas pelo corredor direito cruzou para a área, onde apareceu Gonçalo Guedes, já junto à baliza, para rematar, mas Saliakas apareceu para cortar. Logo a seguir, é Bruno Fernandes quem aparece a rematar na área, mas a bola a ir contra um defesa. E no lance que se seguiu, nova oportunidade. Cancelo apareceu a cruzar para a área, onde apareceu Gonçalo Guedes a tentar o cabeceamento, mas não chegou.
 
Três lances de muito perigo, em apenas três minutos, eram sinal de que o 0-0 no marcador seria de pouca dura. Aos 37 minutos, o capitão Bruno Fernandes rematou na área, para uma excelente defesa de Barkas.
 
E quando já se esperava o intervalo, o golo chegou mesmo. Gonçalo Guedes a aproveitar uma perda de bola da defesa grega, a passar pelos adversários, e a rematar cruzado, fazendo a bola passar junto ao poste. Barkas ainda lhe tocou, mas não conseguiu impedir o golo.
 
Foi a estreia de Gonçalo Guedes a marcar nos sub-21, num jogo em que não parou mais de dar nas vistas. Logo no início da segunda parte, o avançado volta a ser decisivo no jogo. Após um passe em profundidade de Cancelo, que desmarcou Gonçalo Guedes, este chegou à área e cruzou para a área, com Gelson a aparecer à boca da baliza, para fazer o segundo. Uma estreia também a marcar pela seleção sub-21.
 
O jogo estava assim desbloqueado. A Grécia mexeu, tentando colocar mais gente no meio campo de Portugal, e acabou por abrir mais espaços. A formação portuguesa estava assim muito mais à vontade para trocar a bola, gerir a vantagem, mostrando a solidez que a caracteriza, e não deixando de procurar aumentar a vantagem.
 
Horta, em cinco minutos, teve duas oportunidade de golo. Numa chegou atrasado, após cruzamento de Iuri Medeiros, que entrou entretando, na outra, foi Barkas quem lhe negou o golo. Francisco Ramos, que também entrou na segunda parte, obrigou Barkas a outra grande intervenção.
 
Mas o terceiro chegou mesmo na sequência de uma grande combinação de Cancelo com Gonçalo Guedes. O lateral português tirou um adversário do caminho e fuzilou as redes. Faltavam quatro minutos para acabar o jogo, mas ainda houve tempo para outro suplente da tarde, Gonçalo Paciência, fazer o gosto ao pé. Um lance que começou com Iuri Medeiros a trabalhar bem pela esquerda e a servir Gonçalo Paciência, que rematou sem hipóteses para fechar a goleada no último lance da partida.
 
Portugal continua assim imbatível nesta fase de qualificação e a mostrar que, não só consegue lidar com diferentes tipos de jogo, como tem jogadores com qualidade suficiente para irem rodando no onze e a equipa não se ressentir. O estatuto de favorito do grupo (e não só) está mais do que confirmado.
Sara Marques