É preciso jogar mais para o futebol voltar para casa. Essa é a conclusão do triunfo escasso da Inglaterra frente à Croácia (1-0), no primeiro jogo do grupo D do Euro 2020.

Numa reedição da meia-final do Mundial 2018, os ingleses foram superiores nos primeiros vinte minutos e poderiam ter chegado ao golo nesse período. Phil Foden com penteado à Paul Gascoigne acertou no poste logo aos cinco minutos na sequência de um lançamento lateral. Pouco depois, Kalvin Phillips obrigou Livakovic a defesa apertada.

Apesar da excelente entrada, Southgate surpreendeu ao deixar Grealish e Rashford no banco e Jadon Sancho na bancada. Trippier foi o lateral-esquerdo, Declan Rice e Kalvin Phillips protegeram as costas ao quarteto da frente.

O médio do Leeds fez uma exibição notável e apresentou-se ao mundo. Kalvin Phillips foi o jogador que mais contribuiu para o bom arranque de jogo inglês, fartando-se de recuperar bolas em zonas adiantas e impedindo as transições croatas.

Por sua vez, a Croácia entrou neste Euro 2020 como vice-campeã mundial, mas nunca fez jus a esse estatuto. Os croatas aguentaram o ímpeto inicial do adversário e começaram a soltar-se ao ritmo de Modric. O médio do Real Madrid espalhou classe em Wembley e teve em Kovacic e Brozovic dois bons aliados.

Porém, a Croácia jogou sem baliza. É verdade que teve mais bola, mas quando entrava nos últimos 30 metros, não conseguia dar continuidade aos lances. O primeiro remate enquadrado com a baliza de Pickford surgiu aos 55 minutos pelo capitão Modric, o que é sintomático da falta de agressividade ofensiva do conjunto de Dalic.

Apesar de ter entrado pior que a seleção adversária na segunda metade, a Inglaterra fez o que não conseguiu fazer quando viveu o melhor período no encontro: marcar. A inteligência de Kalvin Phillips no movimento nas costas de Kovacic, a frieza para fazer o drible sobre Cáleta-Car e a qualidade no passe para Sterling. Na cara de Livakovic, o extremo do Man. City não tremeu e fez o 1-0.

Até final, a Croácia foi alterando o sistema de jogo, introduziu jogadores mais ofensivos, mas o melhor que conseguiu foi um pontapé falhado de Rebic, após um ressalto. Muito pouco para quem usufrui do estatuto de campeã mundial.

De resto, a Inglaterra poderia ter chegado ao 2-0, mas Sterling não mostrou a mesma qualidade na finalização. Pelo meio, Southgate estreou Bellingham, médio do Dortmund que se tornou no mais jovem de sempre a disputar uma fase final de um Campeonato da Europa.

A Inglaterra entrou a ganhar pela primeira vez num Europeu, mas terá de jogar muito mais se quiser trazer o futebol de volta a casa. 
 

Vítor Maia