«Bom dia, Diogo Jota. Quais são os pontos mais fortes desta seleção magiar?»

Seria uma pergunta normal numa conferência de imprensa, não fosse ela feita num português perfeito por um jornalista húngaro.

Balazs Gyenge, do canal de TV Digi Sport, é filho de um antigo diplomata que cumpriu quatro anos de serviço em Maputo e sete em Lisboa.

Ao abordá-lo, temos o melhor feedback possível: «Eu leio o Maisfutebol diariamente.»

Falámos sobre o tema do momento no Euro 2020: aquele drama de Eriksen. E aí Balazs recordou a tragédia com Miki Fehér: «Toda a gente aqui está a falar nisso. Sabes que eu nessa altura estava cá, estudava e trabalhava num jornal desportivo, e viajei diretamente para Portugal? De manhã ainda fiz exames e à tarde fui diretamente para Lisboa. Fiquei chocado…»

A conversa flui, até Balazs confessar: «Pode ser que perca alguns simpatizantes em Portugal, mas ‘Eu sou Sporting’.»

Como? De onde vem essa paixão? «Sabes qual foi o primeiro jogo a que fui no antigo estádio de Alvalade? Foi o 7-1 ao Benfica, em 1986. Tinha eu 8 anos. A partir daí, não há volta a dar», explica num português cristalino, intercalado com toda a naturalidade com «tu» e «pá».

Até que nos despedirmos. Ele, bem-disposto, eu meio espantado por ao fim de alguns dias na Hungria ainda não saber dizer mais do que rua – «Utca». Há palavras piores.

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«O Caderno de Puskás» é um espaço de crónica do jornalista Sérgio Pires, enviado especial do Maisfutebol ao Euro 2020.

Sérgio Pires / Enviado especial do Maisfutebol ao Euro 2020