Fernando Santos procurou refrear alguma euforia em redor da Seleção Nacional, considerando que Portugal vai ter um adversário muito exigente pela frente e que, ainda por cima, joga em casa. O selecionador defende que Portugal ganhou respeito na Europa, mas lembrou que a Alemanha continua a ser um adversário poderoso no contexto europeu.

«A gente passa muito facilmente do oito para o oitenta. O que eu acho é que Portugal, a partir de determinado momento, passou a ser uma equipa respeitada. Portugal antigamente era visto como uma equipa forte, mas na realidade essas quatro ou cinco grandes equipas europeias tinham muita consideração por Portugal, pelo jogador português, mas no fundo acreditavam sempre que eram mais fortes e podiam ganhar. Neste momento penso que não há nenhuma equipa na Europa, nem no Mundo, que ache que vai jogar contra Portugal e que ache que vai ser fácil ganhar a Portugal», começou por enunciar o selecionador em conferência de imprensa, no palco do jogo, em Munique.

Neste contexto, Fernando Santos rejeita o papel de favorito. «Daí a passar para o polo oposto e dizer que Portugal é melhor do que a Alemanha e que tem jogadores muito melhores do que a Alemanha, tem tudo mais do que a Alemanha, é exagerado. Na última Liga dos Campeões quantos jogadores da Alemanha jogaram e foram vencedores? E quantos lá estiveram e nem jogaram? Estas equipa é uma equipa fantástica em termos individuais e coletivos. É uma equipa que gosta de ter bola, é um rolo compressor. Mas não tenho medo nenhum da Alemanha. Acho que as duas equipas vão-se respeitar porque sabem que de um lado e do outro há forças poderosas com capacidade para resolverem o jogo. Agora acharmos que Portugal é favorito contra a Alemanha, a jogar na Alemanha, é atravessar os limites. Se os jogadores caíssem nesse tantação, nem empatávamos», destacou ainda.

Por isso, o técnico português, campeão da Europa em 2016, defendeu que não se pode apenas olhar para o resultado da «Mannschaft» contra a seleção campeão do Mundo.

«Se não olharmos só para o resultado, a Alemanha teve bola, pressionou e empurrou a campeã do mundo para o seu meio-campo. O golo foi um autogolo. Foi um confronto enorme de duas seleções que estão entre as sete ou oito melhores da Europa. Este jogo é muito importante e vamos encará-lo para ganhar. Temos de ter bola e capacidade para dividi-la com o adversário. Se perdemos a bola facilmente, as coisas ficarão complicadas», sustentou. 

Vítor Maia / enviado-especial a Munique