O dirigente ambientalista Francisco Ferreira, que está em Buenos Aires a assistir à Conferência da ONU sobre alterações climáticas, disse à Agência Lusa que «Portugal não está sequer a conseguir estabilizar as suas emissões de gases com efeito de estufa.»

Com base em dados de evolução das emissões destes gases que provocam as alterações climáticas, a Quercus concluiu que Portugal poderá aumentar em 50% as suas emissões em relação ao ano de 1990 - o ano de referência do Protocolo de Quioto (acordo internacional para combater o sobreaquecimento global).

Os últimos dados oficiais são relativos a 2002 e mostram que Portugal já atingiu 41% de aumento das suas emissões relativamente a 1990, estando 14% acima das suas obrigações perante Quioto.

Se as estimativas da Quercus se confirmarem, este ano Portugal ultrapassou em 23% o limite estabelecido no Protocolo para o período 2008-2012.

«A principal fundamentação das estimativas de aumento é um maior consumo de electricidade de 2002 a 2004 em relação ao período 2001/2002», explicou à Lusa Francisco Ferreira.

Outra das preocupações manifestadas pela Quercus tem a ver com um eventual período de seca este ano e consequente redução das capacidades das albufeiras.

«De acordo com dados da Rede Eléctrica Nacional, em final de Novembro o armazenamento de água nas albufeiras associadas à produção de electricidade era de 49%, enquanto em 2003 era de 675 e em 2002 de 70%», justificou a associação ambientalista.

Por isso, apelou às autoridades para lançarem uma campanha pública para a poupança de electricidade, numa perspectiva de prevenção.

A Quercus está a assistir à Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas que decorre na capital argentina até sexta-feira.
Redação / Lusa/AM