No entanto, o banco central admite que esta projecção tem agora «subjacente uma revisão significativa em termos das principais componentes da despesa».

Diz o Banco de Portugal refere que «há uma revisão em alta da formação bruta de capital fixo (FBCF), essencialmente determinada pela importação significativa de material de transpor te aéreo em meados do ano. Adicionalmente, o consumo privado e as exportações deverão apresentar um crescimento inferior em relação às projecções do Verão».

No seu conjunto, o contributo da procura interna para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi revisto em alta (0,3 p.p.), enquanto o contributo das exportações líquidas foi revisto em baixa, na mesma magnitude.

Assim, a procura interna passa a crescer 1,1% e as exportações apenas 6,7%. A procura interna terá assim um contributo líquido de 1,2 pontos percentuais, o dobro da procura externa.

No novo Boletim Económico, o Banco de Portugal espera um crescimento de 2,1% no investimento (em vez dos anteriores 0,6%).

«A recuperação da economia portuguesa em 2007 tem-se caracterizado por uma clara aceleração do investimento empresarial e por uma expansão significativa das exportações de bens e serviços, num contexto em que a situação no mercado de trabalho se continuou a deteriorar», pode ler-se no Boletim.

O Banco de Portugal admite que, «apesar de um crescimento da economia portuguesa mais próximo do observado na área do euro e na União Europeia, impor ta sublinhar que este continua a ser particularmente baixo, nomeadamente face ao registado nas economias com níveis de rendimento per capita comparáveis».

Mas a instituição liderada por Vítor Constâncio lembra que «a evolução da economia portuguesa em 2007 continuou a ser condicionada por um conjunto de factores, de ordem externa e interna. A nível de enquadramento externo, podem destacar-se a intensificação do processo de globalização económica e financeira e a continuação do aumento gradual das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE). A nível interno, importa sublinhar a continuação da moderação do consumo das famílias, bem como a manutenção da natureza claramente restritiva da política orçamental, associada ao indispensável processo de consolidação das contas públicas».
Redação / PGM