Valores que, apesar de representarem uma ligeira aceleração, mantêm Portugal em divergência com a economia europeia.

No Boletim Económico de Inverno, a instituição liderada por Vítor Constâncio admite que «a recuperação projectada da actividade económica é, no entanto, ainda insuficiente para permitir o reinício do processo de convergência real em relação à área do euro, o qual foi interrompido no início da década, muito embora se projecte que o crescimento da economia portuguesa fique próximo do da área do euro no final do horizonte».

A previsão para 2007 representa uma revisão em alta de três décimas, impulsionada pela revisão, também em alta, no consumo privado e nas exportações.

O Banco de Portugal (BdP) lembra que o elevado preço do petróleo e a estagnação das economias europeias penalizaram particularmente Portugal nos últimos anos, a que acresce a maior concorrência de mercados emergentes. No plano interno, a necessidade de corrigir os desequilíbrios estruturais e a fraca dinâmica da procura interna na actual fase ascendente do ciclo económico é um dos factores distintivos face a anteriores períodos de recuperação, refere o Boletim. De resto, o crescente endividamento, ajudado pelas baixas taxas de juro, é outro dos traços do quadro económico nacional.

No que se refere ao consumo privado, o BdP aponta para um crescimento de 1,5% em 2007 e 1,7% em 2008, depois de uma subida estimada em 1,2% no ano passado. Já o público, deverá estagnar este ano e crescer 0,3% no ano que vem, após a queda de 0,2% no ano passado. O investimento também deverá permanecer estagnado em 2007, após a queda de 3,1% em 2006. A recuperação começará em 2008, com uma subida esperada de 3,9%. Contas feitas, a procura interna deverá subir 1,1% este ano e 1,9% no ano que vem (após a quase estagnação em 2006). As importações deverão desacelerar este ano de 4,3% para 3,5%, e reacelerar em 2008 para um crescimento de 4,7%. Já as exportações, deverão registar um forte abrandamento este ano, passando de um crescimento forte em 2006 (9,3%), para apenas 6,2% em 2007 e ainda para 6,1% em 2008, evolução em linha com a da actividade económica nos principais mercados de destino, que deverá traduzir-se na manutenção da quota de mercado das exportações portuguesas. Assim, será o maior crescimento da procura interna a sustentar o crescimento da economia nacional.

No que diz respeito às necessidades de financiamento da economia portuguesa, medidas pelo saldo conjunto das balanças corrente e de capital, estas deverão ter-se reduzido para 7,6% do PIB em 2006, projectando-se que se reduzam para 7,3% em 2007 e para 7,2% do PIB em 2008.

«Num contexto de abrandamento dos mercados externos, de manutenção do preço do petróleo em níveis historicamente elevados e de deterioração da balança de rendimentos, determinada não apenas pelo aumento das taxas de juro mas também pela progressiva deterioração da posição de investimento internacional da economia portuguesa, a continuação da redução do desequilíbrio externo projectada assenta na manutenção de um ritmo de crescimento da procura interna inferior ao esperado para os principais mercados de destino das exportações portuguesas», refere o BdP.

No que se refere aos preços, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) deverá ter ficado nos 3% em 2006 e deve agora descer em 2007 e 2008 para 2,3 e 2,4%, respectivamente.
Redação / PGM