O Banco de Portugal acaba de rever em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, apontando agora para uma expansão de 0,5%, face aos anteriores 1,2%.

A previsão é pior do que a do Governo, que espera um crescimento de 0,8% para o corrente ano, e também do Fundo Monetário Internacional (FMI), que espera 0,7%.

No Boletim Económico de Outono, a instituição liderada por Vítor Constâncio corta sobretudo as previsões para o investimento privado e para as exportações, face às anteriores estimativas. No caso da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o banco central aponta para uma contracção de 0,8%, em vez de uma expansão de 1%, e no caso das exportações, o crescimento previsto cai de 4,4 para 1,4%. O contributo das exportações líquidas para o Produto Interno Bruto (PIB) será por isso negativa em 0,6% em vez de ser positiva em 0,1%.

«Como seria de esperar, o investimento e as exportações foram particularmente influenciados pelo quadro de deterioração crescente das perspectivas quanto ao crescimento económico interno e externo», refere o BdP.

No que se refere ao investimento, «as actuais estimativas apontam para que a trajectória positiva observada em 2007 tenha sido interrompida, observando-se uma nova diminuição do investimento em 2008, com um abrandamento generalizado das suas componentes».

Exportações perdem quota

Já relativamente às exportações de bens e serviços, e num quadro de desaceleração da procura externa, «importa notar que as actuais estimativas apontam para alguma queda de quota de mercado em 2008», acrescenta.

A previsão do BdP para a procura interna não sofre qualquer revisão, mantendo-se um crescimento esperado de 1%, sendo que o consumo privado deverá crescer mais uma décima (1,4%) e o consumo público deverá crescer 0,2%, quando antes o Banco de Portugal esperava uma contracção da mesma ordem.

As importações, no entanto, deverão crescer 2,6%, em vez dos anteriores 3,3%.

Portugal com um dos menores crescimentos da Europa

Mas a casa governada por Vítor Constâncio admite ainda que «a economia portuguesa terá voltado a registar em 2008 um dos crescimentos mais baixos entre os países da área do euro e da União Europeia», dada a sua «forte integração económica e financeira e a persistência de fragilidades que condicionam a evolução da produtividade dos factores».

O Banco de Portugal admite que, em 2008, deverá observar-se uma desaceleração marcada da economia portuguesa, interrompendo a trajectória de recuperação gradual e moderada registada nos dois anos anteriores.

«Esta evolução ocorre num quadro de interacção entre uma crise sem precedentes nos mercados financeiros internacionais e uma rápida desaceleração económica a nível global», explica.



Tanto o abrandamento da procura externa como as incertezas decorrentes da crise financeira deverão perdurar no futuro próximo, podendo mesmo, por via do acelerador financeiro, contribuir para condições de financiamento ainda mais restritivas.
Paula Martins