As eleições europeias tiveram várias surpresas e a composição do Parlamento Europeu deverá sofrer grandes alterações. Da ascensão de várias forças de extrema direita até à grande vitória dos partidos "verdes", o Parlamento Europeu reunirá no próximo mandato eurodeputados com grandes diferenças entre si. Conheça aqui os perfis dos que deverão marcar os próximos cinco anos em Bruxelas.

Franziska Keller (prefere ser tratada por Ska Keller) é, aos 37 anos, uma das líderes do movimento "verde" na Europa. Nascida em 1981, é formada em estudos islâmicos, turcos e judaicos pelas universidades de Berlim e Istambul desde 2010. Entrou para a juventude verde da Alemanha em 2001 e, seis anos depois, já liderava o partido na região de Bradenburgo. Foi eleita para o Parlamento Europeu pela primeira vez em 2009 e em 2014 já era cabeça de lista do partido alemão.

Em 2018, a também co-presidente do grupo parlamentar Verdes/EFA foi à Bulgária para expôr as ideias que a movem. Em reação a essa visita, o vice-presidente da Bulgária chamou "jihadista verde" a Keller. Apoia a integração de refugiados e a imigração legal na Europa. É também uma poliglota, falando fluentemente, além da língua nativa (alemão), inglês, francês, espanhol, turco e árabe.

Keller tem mais de 40 mil seguidores no Facebook.

Jordan Bardella é o rosto da renovação do União Nacional, o partido de extrema-direita de Marine Le Pen. Com apenas 23 anos, Bardella vai ser o eurodeputado mais jovem da história. A sua carreira na política começou antes da maioridade, quando em 2011 se inscreveu na então Frente Nacional. Com um percurso conquistado a pulso, em 2012 era o líder da Geração Nação, a juventude do partido.

Embora tenha uma carreira feita estritamente na política, Bardella suspendeu a matrícula no curso de Geografia na Sorbonne, em Paris, uma das melhores universidades do mundo.

De origens humildes, Bardella cresceu em Saint Denis, nos subúrbios de Paris. Embora defenda leis severas contra a imigração, o jovem é neto de dois imigrantes italianos, que foram para França na década de 60. Bardella já disse várias vezes que França "não precisa de imigrantes". Um assumido eurocético, o pupilo de Le Pen levou um coador para um debate com outros candidatos às eleições europeias e disse que França precisava de um coador, como meio de filtrar a entrada de armas, imigrantes e terroristas que a União Europeia permite.

Oriol Junqueras era um nome quase desconhecido da maioria das pessoas até ter sido um dos rostos do referendo que pretendia dar a independência à Catalunha. O espanhol de 50 anos é doutorado em História Contemporânea pela Universidade Autónoma de Barcelona e tem nove livros publicados.

O percurso político de Junqueras começou em 2009, quando foi eleito para o Parlamento Europeu pela Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). Deixou o mandato a meio e em 2011 passou a ser presidente da câmara de Saint Vincenç dels Hort. Um ano depois, deixa a autarquia para ser deputado no parlamento da Catalunha. É nesta nova etapa que Junqueras assina um acordo que prevê a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha.

Após o referendo, Junqueras foi detido. Está em prisão preventiva desde 2017, aguardando pelo desfecho do julgamento em que é acusado de rebelião, sedição e desvio de fundos. Mesmo preso, o catalão foi o cabeça de lista da ERC e tem assento no Parlamento Europeu. Numa publicação no Twitter oficial, Junqueras disse que "temos um país de justiça e liberdade", depois de ter conquistado um dos três lugares da ERC no PE.

Outro dos responsáveis pelo referendo de independência da Catalunha é Carles Puidgemont. Com 56 anos, o político e jornalista espanhol está exilado na Bélgica desde 2017, estando acusado em Espanha do crimes de rebelião e sedição.

Com longa carreira no jornalismo, Puidgemont começou a trabalhar em 1981 e viria a fazer parte dos quadros de vários meios de comunicação social em Espanha. Nascido na era de Franco, não deixou de aprender catalão - proibido à altura - e dedicou-se ao estudo do idioma.

A carreira política inicia-se em 2006, quando é eleito deputado para o parlamento da Catalunha. Em 2011 passa a presidente da câmara de Girona, pequena cidade ao largo de Barcelona. É investido como presidente do governo regional da Catalunha em 2016 e acaba demitido pelo governo espanhol um ano depois, na sequência do referendo que deu a independência à Catalunha, mas que foi considerado ilegal.

Jorge Buxadé, outro catalão, mas com ideias bem diferentes dos anteriores. Aos 44 anos, é a figura europeia do Vox, o partido de extrema-direita em Espanha. Advogado e político, Buxadé licenciou-se em direito em 1999 na universidade Abade Oliva.

Entrou para a política em 2004, quando ingressou no Partido Popular (PP). Dez anos depois, e após dissidências com o então primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, Buxadé deixa o PP. Mais tarde, viria a afirmar que se arrepende de ter pertencido ao partido de centro-direita.

Politicamente, o catalão defende a unidade de Espanha e apresenta-se como eurocético, valores que partilha com o Vox, partido em que milita desde 2016. Com um discurso inflamado contra as minorias, Buxadé chamou "feias" às feministas que, no seu entender, tentam manipular a opinião pública das outras mulheres em Espanha.

O Vox foi um dos vencedores da noite europeia, afirmando-se como uma certeza no panorama político espanhol.

Nigel Farage é, desde há muito, um eurocético e um defensor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O líder do Partido do Brexit foi também um dos grandes vencedores das eleições deste domingo (31%), o que confirma o desejo dos britânicos de sair da UE.

Nascido em 1964, Farage entrou para o UKIP - partido que defende o Brexit - em 1993 como fundador. Entre 2006 e 2016 lidera a formação política, sendo apenas interrompido em 2009, acabando por vencer as eleições internas em 2010. De cariz conservador, o UKIP consegue o seu principal objetivo a 23 de junho de 2016, com a aprovação do Brexit pelos britânicos em referendo.

Depois da vitória, Farage, que nasceu no seio de uma família abastada, deu o seu trabalho por concluído, abandonando o UKIP. Anunciou o regresso político a apenas um mês das eleições europeias e conseguiu eleger quase um terço dos parlamentares britânicos no Parlamento Europeu.

Farage já confirmou que se vai candidatar nas próximas legislativas, afirmando que não vai "parar até o trabalho estar feito".

Silvio Berlusconi é um velho conhecido da política italiana. Com 82 anos, nasceu no pré-Segunda Guerra Mundial e teve de ser retirado de Milão com a mãe. Formado em Direito em 1961, Berlusconi fundou a Telemilano 10 anos mais tarde, e havia de tornar-se proprietário do maior grupo de comunicação em Itália, o Mediaset. O magnata, que ainda é um dos homens mais ricos de Itália, fez fortuna em vários setores da economia italiana, chegando a ser o dono do clube de futebol AC Milan, que viria a vender a um consórcio chinês em 2016, por 740 milhões de euros.

A atividade política inicia-se em 1993. Um ano depois, o seu Força Itália estava no governo e Berlusconi era eleito primeiro-ministro pela primeira vez. A experiência não corre bem e o governo de coligação com a Aliança Nacional e a Liga do Norte cai sete meses depois.

A união entre os partidos é reeditada em 2001, com Berlusconi a ocupar o cargo de primeiro-ministro por cinco anos, o maior período de um governo italiano desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda voltaria ao poder em 2008 como primeiro-ministro, governando por mais três anos.

Afastado da política devido a vários escândalos sexuais e de corrupção, Berlusconi atravessa um hiato político até 2018, quando o Força Itália volta a ter assento parlamentar em Itália. Aos 82 anos, Berlusconi tornou-se agora um dos seis eurodeputados do Força Itália.

Berlusconi disse que a sua candidatura pedia "um voto para mudar Itália".